PRESIDENTE DA APPI EXPÕE INSATISFAÇÃO DA CATEGORIA, COBRANÇA POR DIREITOS E IMPASSE EM NEGOCIAÇÕES SOBRE REAJUSTE DO TICKET ALIMENTAÇÃO EM ILHÉUS
APPI detalha reivindicações, aponta avanços pontuais e afirma que acordo salarial só será fechado com atendimento das principais demandas
Durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da rádio Ilhéus FM, nesta quarta-feira (06), o presidente da APPI, Osman Nogueira, apresentou um panorama do movimento da categoria da educação após a assembleia realizada na terça-feira (05), marcada por críticas ao governo municipal, cobranças por direitos e continuidade das negociações.
Ao comentar o encontro, Osman destacou o papel da entidade na condução das decisões da categoria e na tentativa de equilibrar os impactos das propostas. “Nós somos o pêndulo da nossa categoria, porque a gente não pode deixar extrapolar muita coisa, porque nós sabemos o que vai acontecer com a comunidade escolar, principalmente com os alunos, que a coisa já está ruim, muito ruim”, afirmou.
Segundo ele, a assembleia teve como foco principal a análise da proposta do governo, especialmente em relação à carreira e aos direitos dos trabalhadores. “Ontem nós fizemos essa assembleia com a proposta do governo municipal, que nós tivemos que segurar”, disse.
Um dos principais pontos de tensão envolve a possibilidade de alterações na estrutura da carreira, com impactos na tabela salarial e na progressão. “Na hora que ele dá valores diferentes, ele acaba com o artigo 68 da nossa lei, acaba com a tabela e acaba principalmente com a progressão salarial. Nós não aceitamos de maneira nenhuma ter valores diferentes”, destacou.
A assembleia discutiu dois eixos centrais: piso e carreira dos docentes, além de salário e carreira dos não-docentes, incluindo o ticket alimentação. Nesse ponto, a categoria rejeitou a proposta inicial do governo.
“Não concordamos com 30 reais. Batemos em 100 reais e fizemos a contraproposta de 70”, explicou.
A posição, segundo Osman, é compartilhada por outros sindicatos.
“Nós não aceitamos 30 reais e vamos só fechar a pauta quando o governo sinalizar que é 70 reais”, afirmou.
Outro ponto debatido foi o pagamento retroativo. O presidente da APPI informou que há uma proposta para pagamento a partir de abril, aceita com ressalvas pela categoria. “A categoria, entre aspas, aceita essa proposta e vamos ver o que vai acontecer no ano com relação às outras coisas”, disse.
Apesar de o governo afirmar que a maior parte das cláusulas da campanha salarial foi atendida, Osman contestou.
“Não é verdade. Das 62 cláusulas, quase nenhuma foi cumprida”, afirmou.
Entre os pontos pendentes, ele citou a gratificação de diretores, que, segundo ele, está defasada e acaba sendo usada para custear necessidades básicas das escolas. “A gratificação de diretor já vem há mais de oito anos a mesma coisa. E ela é para comprar tempero, comprar papel, trocar lâmpada dentro da escola”, relatou.
O dirigente também apontou problemas estruturais na rede municipal, como precariedade das escolas e falhas na alimentação escolar. “Nós sabemos que a estrutura é muito precária. Temos denúncias de escolas que estão há mais ou menos um mês sem alimentação escolar”, disse.
Além disso, ele destacou a ocorrência de assédio moral nas unidades escolares. “Assédio moral é uma constante dentro da educação do município”, afirmou.
Apesar das críticas, Osman reconheceu avanços pontuais nas negociações, como a garantia do piso salarial para professores contratados.
“O piso do contratado vai ser o piso do efetivo. Isso aí cedeu”, disse.
Ainda assim, ele apontou desigualdades nas condições de trabalho desses profissionais. “O efetivo trabalha 26 horas, e os contratados trabalham 40 e não recebem décimo terceiro e não recebem férias. Isso é um absurdo”, afirmou.
O presidente da APPI reforçou que o movimento da categoria segue ativo, com novas rodadas de negociação já previstas. “Dia 11, às 14 horas, nós teremos uma nova reunião para tratar de ticket e retroativo”, informou.
Segundo ele, a estratégia é manter o diálogo, mas cobrar o cumprimento das pautas. “As aulas vão estar acontecendo, mas ainda assim as negociações não param”, concluiu.
Confira a entrevista completa:
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