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PROMESSAS VAZIAS E CANTEIROS PARADOS: A CRISE DE GESTÃO DA F NOGUEIRA EM ILHÉUS E O PESADELO DOS COMPRADORES DO EDIFÍCIO SOBERANO

PROMESSAS VAZIAS E CANTEIROS PARADOS: A CRISE DE GESTÃO DA F NOGUEIRA EM ILHÉUS E O PESADELO DOS COMPRADORES DO EDIFÍCIO SOBERANO
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 27/02/2026 20h11

A entrega acumula mais de um ano de atraso, deixando dezenas de famílias em uma situação de completo desamparo

Atrasos que ultrapassam um ano, funcionários com salários atrasados e um comunicado que promete "informações definitivas" só para 2026. Esta é a realidade dos compradores da F Nogueira Construtora em Ilhéus, que enfrentam a angústia de ver o sonho da casa própria se transformar em um labirinto de incertezas.

PROMESSAS VAZIAS E CANTEIROS PARADOS: A CRISE DE GESTÃO DA F NOGUEIRA EM ILHÉUS E O PESADELO DOS COMPRADORES DO EDIFÍCIO SOBERANO

O Site OTabuleiro apurou que enquanto o setor da construção civil em Ilhéus vive um momento de aquecimento, com diversos empreendimentos sendo tocados por outras incorporadoras, os canteiros da F Nogueira permanecem vazios. O caso mais emblemático dessa crise é o do Edifício Soberano, cuja entrega acumula mais de um ano de atraso, deixando dezenas de famílias em uma situação de completo desamparo.

PROMESSAS VAZIAS E CANTEIROS PARADOS: A CRISE DE GESTÃO DA F NOGUEIRA EM ILHÉUS E O PESADELO DOS COMPRADORES DO EDIFÍCIO SOBERANO

Fábio Nogueira/CEO da F Nogueira

Em resposta à crescente pressão dos proprietários, a construtora, sob a assinatura do CEO Fábio Nogueira, enviou um comunicado aos compradores. A empresa adota um tom de "transparência e responsabilidade", mas, na prática, adia qualquer explicação concreta, atribuindo a paralisação a uma suposta "falta de mão-de-obra" — uma justificativa que, segundo apurado pela reportagem, não se sustenta diante dos fatos.

A promessa é que um "comunicado definitivo", contendo dados financeiros e cronogramas revisados, seria divulgado até o último dia 25 de fevereiro de 2026. No documento, a empresa informa que a decisão de postergar as informações foi "tomada de forma estratégica e responsável, para que o conteúdo do próximo comunicado seja definitivo, contendo informações positivas e consolidadas".

Na prática, os compradores — que já enfrentam um calendário de atrasos superior a um ano — mais uma vez ficaram sem respostas. Para especialistas em direito imobiliário ouvidos pela reportagem, essa postergação configura uma tentativa de ganhar tempo enquanto a situação financeira da empresa não se estabiliza.

A grande contradição no discurso da F Nogueira está na alegação de que a paralisação decorre da escassez de trabalhadores qualificados. Ilhéus tem vivido um aquecimento no setor da construção civil, com diversos empreendimentos em andamento. Procuradas pela reportagem, outras construtoras com obras na cidade confirmaram que, embora exista uma disputa por profissionais qualificados, o mercado tem se ajustado e nenhuma delas apontou a falta de trabalhadores como motivo para paralisação total de canteiros.

O que se vê, na prática, é um quadro de má gestão financeira e falta de liquidez. Diferente de problemas pontuais de contratação, a F Nogueira enfrenta dificuldades que vêm se acumulando e afetam diretamente o andamento das obras. A informação foi confirmada por fontes do setor e, principalmente, pelos relatos dos próprios trabalhadores.

A versão da empresa sobre a escassez de mão de obra cai por terra diante dos acontecimentos recentes nos canteiros da própria F Nogueira. De acordo com relatos colhidos pela reportagem, as obras dos residenciais Soberano e Word Prime foram paralisadas não por falta de funcionários, mas por uma razão muito mais grave: atraso no pagamento dos salários.

A situação é um retrato fiel da crise interna: não faltam trabalhadores disponíveis; falta dinheiro para pagá-los. Enquanto a diretoria promete um "fluxo financeiro atualizado e validado" para daqui a quase um ano, os operários enfrentam dificuldades para manter despesas básicas hoje.

Para os compradores do Edifício Soberano, a situação é de completo desamparo. Além de arcar com aluguéis e prestações do financiamento de um imóvel que não saiu do papel, eles são tratados com comunicados vagos e promessas de prazos que beiram o desrespeito.

"A gente confiou na empresa, investiu todas as economias e agora estamos reféns. Enquanto isso, continuamos pagando aluguel e as parcelas do financiamento de um apartamento que não existe", desabafou um dos compradores, que preferiu não se identificar.

A alegação de que a empresa enfrenta dificuldades por "falta de mão-de-obra" foi recebida com ironia por investidores locais. A visão predominante no mercado imobiliário de Ilhéus é a de que a F Nogueira atravessa uma grave crise de gestão. Diferente de crises macroeconômicas que afetam o setor como um todo, a paralisação específica dos empreendimentos da F Nogueira, aliada à inadimplência com seus funcionários, aponta para problemas internos de planejamento, alocação de recursos e transparência com os clientes.

A postergação estratégica da empresa em fornecer esclarecimentos concretos apenas aprofunda a desconfiança. Ao prometer um "comunicado definitivo", a F Nogueira joga para escanteio dezenas de famílias que depositaram sua confiança — e seu dinheiro — na construtora.

Enquanto o relógio corre e a data prometida para uma resposta parece distante, os canteiros seguem vazios, os trabalhadores aguardam seus direitos, e os compradores do Soberano permanecem reféns de uma crise que, aparentemente, poderia ter sido evitada com uma gestão mais responsável e transparente.

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