REPACTUAÇÃO COM VALDERICO GARANTE PERMANÊNCIA DO PP NA PRESIDÊNCIA DA CÂMARA, CONFIRMA JABES RIBEIRO
Ex-prefeito afirma que acordo foi firmado com o prefeito e posteriormente levado a ACM Neto; César Porto é apontado como nome natural do partido para a presidência
A possibilidade de permanência do Progressistas (PP) no comando da Câmara de Vereadores de Ilhéus foi confirmada pelo ex-prefeito e secretário-geral do partido na Bahia, Jabes Ribeiro, durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quarta-feira (23). Segundo ele, a definição faz parte de uma repactuação política realizada com o prefeito Valderico Júnior.
Jabes explicou inicialmente que acompanha as discussões dentro do partido e que as informações sobre a movimentação na Câmara chegam principalmente por meio do vereador César Porto, atual presidente do Legislativo e integrante do PP.
Segundo ele, César conquistou apoio entre os colegas pela forma como conduziu a presidência da Câmara. “Os relatos que nós temos é de que ele conquistou o apoio dos seus pares, dos seus colegas, pela forma dele. O César não é um cara egoísta, ditador. Então ele conquistou, eu sinto muitas vezes, uma espécie de família”, afirmou.
Na avaliação de Jabes, a condução de César teria criado um ambiente de solidariedade entre os vereadores. Ele também destacou uma postura que, segundo sua percepção, buscou preservar a atuação dos parlamentares independentemente da posição política de cada um em relação ao governo municipal. “Eu acho que ele tomou a decisão de fortalecer os mandatos dos vereadores, como forma de cada um expressar melhor as suas posições, independente de sua posição ou sua situação no governo municipal”, declarou.
Jabes também comentou a decisão de antecipar a eleição da Mesa Diretora e afirmou que, segundo as informações que recebeu, a medida foi tomada pelos vereadores por maioria ou unanimidade após uma mudança regimental. “Eles tomaram a decisão, por maioria, por unanimidade lá, de colocar a eleição, até porque houve uma mudança regimental”, disse.
De acordo com Jabes, a antecipação também teria relação com a intenção de evitar que a eleição da Mesa fosse contaminada pelas disputas políticas futuras. “Pelo que eu soube, já resolveram algum problema entre eles, para evitar a contaminação futura de eleição de governador A, governador B”, afirmou.
Questionado por Vila Nova se houve um acordo com o prefeito para a manutenção do nome de César Porto para um segundo mandato na presidência da Câmara, Jabes disse que evitou falar anteriormente sobre o assunto por entender que a questão deveria permanecer no âmbito do Legislativo. “Essa é a primeira vez que eu falo nesse assunto, porque evitei. Evitei que isso fosse politizado partidariamente”, explicou.
Em seguida, Jabes confirmou que houve uma repactuação entre o PP e o grupo do prefeito Valderico Júnior. Ele explicou que a revisão do acordo ocorreu depois que o partido percebeu dificuldades para o cumprimento do entendimento inicial.
Ao ser questionado se a repactuação significava que o primeiro acordo não havia sido cumprido, Jabes explicou que, diante de uma dificuldade para cumprir um compromisso, existem dois caminhos: romper ou rediscutir os termos. “Quando no primeiro acordo, nós percebemos que haveria dificuldade de cumprir. Quando você percebe que tem dificuldade, tem duas coisas a fazer: ou você cumpre, como nós fizemos com o governo do Estado lá em 22, quando o PT não cumpriu conosco o acordo estadual na época, ou você rediscute”, declarou.
Para Jabes, a escolha pela repactuação foi uma forma de preservar o entendimento entre os grupos. “Eu acho que é até melhor. Eu gosto dos acordos. Acordo é uma coisa boa. Dizem que é melhor um acordo morno que uma briga longa”, afirmou.
Segundo o ex-prefeito, o novo entendimento foi discutido em uma reunião da qual participaram ele, Valderico Júnior, Cacá Leão e ACM Neto. “Houve realmente um acordo, de que a palavra do prefeito Valderico Júnior foi ratificada em uma reunião que nós fizemos. Estavam presentes, eu, o Valderico, Cacá Leão e ACM Neto”, relatou.
Jabes afirmou que, naquele encontro, realizado no Opaba, o objetivo principal colocado pelos participantes era manter a unidade do grupo para a disputa eleitoral.
“Nós dissemos: olha, não tem problema, tal, tal, vamos continuar. O objetivo maior nosso é ganhar as eleições”, afirmou.
Ele explicou ainda que a repactuação foi levada posteriormente a ACM Neto, em razão da posição dele dentro do União Brasil na Bahia. “Nós levamos a ACM Neto por ele ser uma autoridade da União Brasil na Bahia”, disse.
Questionado se ACM Neto não havia “bancado” o primeiro acordo, Jabes preferiu não caracterizar dessa forma a atuação do dirigente político. “Ele não bancou no sentido de dar para vocês discutirem, dar para vocês encontrarem um caminho. Eu não posso nem dizer que ele não bancou”, afirmou.
Jabes relatou também uma segunda conversa, desta vez no gabinete de Valderico Júnior, da qual participaram ele, Cacá Leão, o prefeito e o secretário Paulo Queiroz. Segundo o ex-prefeito, foi nesse momento que ficou estabelecido que o PP permaneceria na presidência da Câmara. “O PP continuaria na presidência da Câmara. E, certamente, o nome que nós teríamos como natural seria o nome de César, porque já era presidente”, afirmou.
Na avaliação de Jabes, a relação entre César Porto e Valderico Júnior também contribuiu para a escolha do vereador como nome natural do partido. “Teve indiscutivelmente uma relação, e tem, das melhores com o prefeito. Não houve lá um projeto do governo que não tivesse aprovação da Câmara. Nada. Tudo foi, assim, céu de brigadeiro. Nenhum problema”, declarou.
Jabes também destacou a atuação de César como presidente da Câmara e sua relação com os demais vereadores. “O César é uma pessoa muito correta. É bem aceito entre os outros vereadores também. Ele tem uma virtude: é um cara leal”, afirmou.
Segundo Jabes, essa lealdade estaria presente tanto na relação institucional com o governo quanto na atuação partidária. Ele afirmou que César acompanhou as decisões do PP nas candidaturas apoiadas pelo partido, sem deixar de atuar como presidente da Câmara. “Ele separou as coisas. Uma coisa: sou eu presidente da Câmara. Presidente da Câmara, eu tenho um compromisso de ajudar o governo, ajudar o prefeito a governar. Outra coisa, meu partido”, explicou.
Jabes afirmou que, na sua avaliação, César manteve uma postura de apoio ao governo municipal e, ao mesmo tempo, acompanhou as decisões partidárias. “Ele foi correto com o partido. Essa é a minha parte, aquilo que me interessa, no apoio aos nossos candidatos indicados, mas, ao mesmo tempo, muito correto com o governo, na medida em que ele é da base”, disse.
Ao falar sobre a relação entre os grupos políticos, Jabes afirmou que pretende manter sua confiança no acordo firmado e destacou a importância da palavra e da credibilidade nas relações políticas. “Eu aprendi ao longo desses anos a acreditar nas pessoas. Eu estou disposto, Vila, a continuar acreditando no ser humano”, declarou.
Ele ressaltou, porém, que reconhece a possibilidade de mudanças e surpresas no processo político. “Você pode ser surpreendido? Podemos sempre ser surpreendidos. Sempre”, afirmou.
Jabes também voltou a destacar que PP e União Brasil integram a mesma federação e que, na sua avaliação, conflitos entre os aliados não contribuiriam para os objetivos do grupo. “Nós somos da base. Apoiamos o mesmo candidato a governador. Nós participamos do governo. Nós somos uma federação que vai até 28. Portanto, eleição municipal ainda será federação. Briga ajuda nisso? Não. Confusão ajuda nisso? Eu acho que não”, afirmou.
Na sequência, Jabes passou a falar sobre as estratégias eleitorais do PP para as eleições proporcionais e citou os nomes de Cacá Leão e Igor Dominguez. Ele explicou que a escolha levou em consideração a avaliação interna sobre a capacidade dos candidatos de obter votos em diferentes regiões. “Quando eu, por exemplo, resolvi, com meus companheiros, apoiar Cacá e Igor, foi um pouco com essa análise. A gente chegou até no seu programa aqui a dizer que a gente pensava, com o estadual, o Cacá Colchões. Nós fizemos uma análise, nós não tínhamos como completar esses votos lá fora”, declarou.
Segundo Jabes, o partido decidiu concentrar esforços em dois nomes que, na avaliação dele, possuem bases eleitorais amplas. “Trabalhamos dois nomes, fomos buscar dois nomes que têm eleição muito provável”, afirmou.
Ao falar sobre Cacá Leão, Jabes destacou a estrutura política que, segundo ele, o deputado possui e o crescimento de sua atuação em Salvador. “Cacá Leão tem uma base forte, uma base forte. Tem hoje, quer dizer, todo o patrimônio que ele já tinha como federal e agora com o pai que foi candidato, ele cresceu muito nessa relação quando ele foi secretário de Bruno Reis da Prefeitura de Salvador”, afirmou.
Jabes também mencionou a estratégia relacionada a Igor Dominguez e disse que o objetivo é ampliar a presença do candidato para além de Salvador, citando Ilhéus como um dos municípios trabalhados nesse sentido. “Ele é um candidato oficial de Bruno Reis em Salvador. [...] A ideia é que ele seja um candidato que tenha uma presença maior na Bahia. Então Ilhéus foi o primeiro município, porque Ilhéus tem uma importância estratégica na Bahia, para não ser um candidato apenas de Salvador”, explicou.
Ao retomar a situação de César Porto, Jabes voltou a destacar as características que, segundo ele, favorecem a permanência do vereador na presidência da Câmara. “César tem características extremamente positivas. Você sabe disso, você acabou de falar, há pouco, que foi um bom presidente. Uma relação muito boa com a sociedade, com a cidade, com a imprensa, com todo mundo”, afirmou.
Jabes também disse perceber uma relação positiva entre César Porto e Valderico Júnior. “Valderico gosta dele, ele também gosta do Valderico. Quer dizer, tudo bem, independência dos poderes, tal, a Câmara é a Câmara”, declarou.
O ex-prefeito afirmou ainda que, pela experiência que acumulou como gestor, considera que a atual relação entre Executivo e Legislativo municipal tem facilitado o trabalho da administração. “Eu fui prefeito várias vezes. Eu nunca tive uma Câmara para dar tantas condições para trabalhar com essa... facilitar a vida”, afirmou.
Jabes encerrou reforçando que não vê razão para um conflito entre os grupos que atualmente integram a mesma federação e defendeu a continuidade do diálogo. “Eu acho que as coisas estão indo bem, a questão de conversa, de diálogo, de inteligência, até porque, eu repito, nós vamos continuar até 28 com a federação. Então queremos briga? Não. Pra que briga?”, concluiu.
Confira a entrevista completa:
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