SEM OPERAR NA PANDEMIA E SEM CONTRATO VIGENTE, ATLÂNTICO RECEBEU R$ 8 MILHÕES DA PREFEITURA, DENUNCIA ENILDA
Segundo relembrou a parlamentar, o contrato da Atlântico com a Prefeitura foi encerrado em maio deste ano
A professora e vereadora Enilda Mendonça levou à tribuna da Câmara de Ilhéus, nesta terça-feira (1º), uma denúncia sobre pagamentos feitos pela Prefeitura à empresa Atlântico e a continuidade da operação da companhia no município mesmo após o encerramento do contrato.
Segundo relembrou a parlamentar, o contrato da Atlântico com a Prefeitura foi encerrado em maio deste ano. Desde então, não houve renovação contratual nem uma nova licitação, mas a empresa permanece na operação do transporte coletivo de Ilhéus. Para Enilda, a continuidade do serviço nessas condições configura uma irregularidade que precisa ser esclarecida pelo Executivo.
A vereadora também denunciou pagamentos específicos feitos à Atlântico com base em um acordo judicial relacionado aos prejuízos provocados pela pandemia da Covid-19. O acordo envolveu empresas São Miguel e Viametro, que atuavam no transporte público de Ilhéus naquele período e o Ministério Público, prevendo compensações financeiras pelas perdas decorrentes da pandemia.
O questionamento apresentado por Enilda é que a Atlântico não operava em Ilhéus durante a pandemia ( fato público e conhecido) e, portanto, não fazia parte do cenário que deu origem às perdas e ao acordo judicial. Ainda assim, registros oficiais disponíveis no e-TCM e apresentados pela vereadora apontam pagamentos à empresa vinculados a essa finalidade.
Entre novembro de 2025 e 27 de maio de 2026, a Atlântico recebeu R$ 4,575 milhões dos cofres municipais. O contrato com a Prefeitura foi encerrado em maio.
Mesmo depois do encerramento, os pagamentos continuaram. De acordo com os registros do e-TCM, entre 29 de maio e 31 de julho de 2026, a empresa recebeu outros R$ 3,493 milhões, novamente com a mesma justificativa relacionada ao acordo da pandemia.
No total, os pagamentos questionados pela vereadora somam R$ 8,068 milhões.
“Não consigo compreender que uma empresa que não estava no período da pandemia, que está irregular, sem contrato, recebe dinheiro a título desse processo”, afirmou Enilda durante a sessão.
A parlamentar ainda apresentou os valores destinados à Viametro, empresa que atuava no transporte público de Ilhéus durante a pandemia e que, segundo os dados apresentados, recebeu R$ 9,918 milhões entre novembro de 2025 e 31 de julho de 2026.
Para Enilda, a Prefeitura de Ilhéus precisa esclarecer a base legal dos pagamentos feitos à Atlântico, especialmente diante da relação dos recursos com um acordo decorrente da pandemia, período em que a empresa ainda não atuava no município. Também cobra explicações sobre a permanência da Atlântico na operação do transporte coletivo após o encerramento do contrato.
“O Executivo municipal tem muito a explicar, não somente ao Poder Legislativo, como também à população de Ilhéus”, afirmou a vereadora.
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