VICE-PREFEITO DE URUÇUCA LEBRÃO DIZ QUE MOACYR TEM “SÍNDROME DO EX”
Em entrevista ao programa O Tabuleiro, Alessandro Lebrão rebateu críticas do ex-prefeito, defendeu a gestão de Magnólia e destacou investimentos e ações do governo Jerônimo Rodrigues no município
O vice-prefeito de Uruçuca, Alessandro Lebrão, afirmou que foi surpreendido pelas recentes declarações do ex-prefeito Moacyr Leite e negou que tenha sido responsável por provocar uma divisão no grupo político que elegeu Magnólia Barreto. Em entrevista ao programa O Tabuleiro, da rádio Ilhéus FM, nesta segunda-feira (17), Lebrão apresentou sua versão sobre a formação da aliança, os investimentos realizados no município e a atual relação entre a prefeita e o ex-prefeito.
Ao responder às críticas de que teria “caído de paraquedas” no grupo e sido o maior beneficiado pela aliança, Lebrão afirmou que a aproximação partiu do próprio grupo de Moacyr. “Não fui eu que bati na porta de Moacyr para fazer junção política. Foi Moacyr, foi o grupo, foi a prefeita Magnólia que nos procurou”, afirmou.
Segundo o vice-prefeito, pesquisas eleitorais realizadas antes da eleição apontavam que uma união entre ele e Magnólia encerraria a disputa. Ele disse ter realizado três pesquisas e afirmou que o resultado era semelhante ao levantamento feito pelo grupo adversário “Uma união de Lebrão com Magnólia acabava a eleição”, declarou.
Lebrão também contestou a afirmação de que teria chegado ao grupo para obter benefícios. Segundo ele, após a eleição, a participação no governo ocorreu a partir do entendimento de que quem ajudasse a vencer também ajudaria a governar. Ele afirmou que os recursos da campanha foram divididos entre os integrantes do grupo e que seu partido também contribuiu financeiramente.
Para sustentar a argumentação, o vice-prefeito apresentou uma relação de investimentos realizados durante o primeiro ano de governo. Citou R$ 250 mil destinados ao Carnaval, um ônibus de aproximadamente R$ 150 mil, outros R$ 250 mil para o São João, uma ambulância de R$ 250 mil, uma viatura de R$ 200 mil e quase R$ 600 mil destinados à Semana do Fazendeiro.
Lebrão também destacou a obra da estrada entre Uruçuca e Serra Grande e afirmou que o projeto foi viabilizado com participação de Bebeto e Gazo. Segundo ele, o investimento previsto é de R$ 50 milhões, além dos recursos utilizados para viabilizar o projeto.
Ao falar sobre a participação do governo estadual, Lebrão contestou a afirmação de que o governador Jerônimo Rodrigues teria prometido diversas obras e entregue apenas a estrada. Segundo ele, Jerônimo teria estabelecido a estrada como prioridade e orientado o município a elaborar o projeto, enquanto os demais investimentos seriam liberados gradativamente “O governador ajuda a governar. Não dá para o governador ser prefeito de Uruçuca”, afirmou.
O vice-prefeito também citou outras ações relacionadas ao governo estadual e defendeu que a administração municipal mantenha uma relação de parceria com o Estado. Para ele, a cobrança feita por Moacyr em relação a obras como iluminação e equipamentos para o colégio de Serra Grande colocaria sobre o governador responsabilidades que seriam do município.
Na avaliação de Lebrão, a atuação política de Moacyr também estaria interferindo na administração. Para explicar sua posição, ele fez uma comparação com o futebol “Quando o técnico não tem autonomia, o time não vai bem. Se o técnico ficar tendo interferência do presidente, não vai muito longe”, afirmou.
Na sequência, Lebrão defendeu que Moacyr dê mais autonomia à prefeita Magnólia. Ele citou novamente obras e equipamentos obtidos durante aproximadamente um ano e meio de gestão, mencionando estrada, viatura, ambulância e iluminação.
Questionado se Moacyr poderia estar se sentindo ameaçado pelo desempenho da atual gestão, Lebrão respondeu: “na política tem aquela síndrome do ex. Diz que a síndrome do ex é pior do que a traição. E eu acho que o que o Moacyr tem hoje, na minha opinião, é a síndrome do ex.”
Segundo Lebrão, o ex-prefeito teria receio de que Magnólia alcançasse resultados positivos à frente da prefeitura. Ele afirmou que o atual governo já teria superado administrações anteriores em alguns aspectos e voltou a citar a estrada de R$ 50 milhões como exemplo de investimento capaz de alterar a economia e o turismo da região. “Uma estrada de 50 milhões em uma cidade de 23 mil habitantes, um investimento desse que vai mudar a rota da economia da região, vai mudar a rota do turismo da região, principalmente de Uruçuca”, afirmou.
O vice-prefeito ainda disse que não existe deslealdade por parte do grupo atual e defendeu a liberdade de escolha dos vereadores e aliados na definição de apoios políticos.
Ao final, Lebrão afirmou que ele, os vereadores e demais integrantes do grupo decidiram evitar respostas públicas a cada declaração de Moacyr para não transformar a disputa política em prejuízo para a população. “Nós não vamos deixar Magnólia sozinha. Nós não vamos deixar Magnólia sem o apoio nosso”, afirmou.
Ele acrescentou que esse também seria um pedido do governador Jerônimo Rodrigues. Segundo Lebrão, o governador teria orientado o grupo a ajudar a prefeita. “Magnólia é uma mulher retada, de palavra, e ela vai ter o apoio do governo do Estado, independente da posição de qualquer outra pessoa”, relatou.
Lebrão encerrou destacando ações que, segundo ele, continuam sendo articuladas pela gestão. Entre elas, citou a tentativa de trazer de volta a Uruçuca uma agência bancária, após o município ter ficado sem banco. Ele afirmou que participou das articulações em Salvador e que o processo conta com o envolvimento de integrantes da administração e da Câmara Municipal.
Para o vice-prefeito, o foco deve permanecer na gestão e na busca por investimentos, mesmo diante do atual conflito político. “Quem faz o bem, bem, né? E quem tá aí pra fazer o bem”, concluiu.
Confira a entrevista completa:
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