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WAL MACEDO APONTA FALTA DE INFORMAÇÃO COMO OBSTÁCULO PARA EMPRESÁRIOS ACESSAREM CRÉDITO

WAL MACEDO APONTA FALTA DE INFORMAÇÃO COMO OBSTÁCULO PARA EMPRESÁRIOS ACESSAREM CRÉDITO
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 22/10/2026 14h26

Especialista participa do Encontro de Empresários de Ilhéus nesta sexta-feira (23) e explica como o conhecimento sobre operações bancárias pode contribuir para aumentar o lucro das empresas.

O acesso a linhas de crédito com juros mais baixos, o relacionamento com os bancos e o conhecimento sobre as regras de financiamento foram alguns dos temas abordados por Wal Macedo, gerente bancário, palestrante, escritor e especialista em crédito para pessoas físicas e empresas, em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quinta-feira (22).

Macedo estará nesta sexta-feira (23) no Encontro de Empresários de Ilhéus, no Hotel Jardim Atlântico, onde ministrará a palestra “Como aumentar o lucro da sua empresa utilizando os bancos”. Ao conversar com o apresentador Vila Nova, ele apontou a falta de informação como uma das principais dificuldades enfrentadas pelos empresários.

Para ilustrar o problema, o especialista questionou se os empreendedores conhecem e conseguem acessar linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com juros inferiores a 1%. Segundo ele, essa realidade não se restringe à Bahia. “Essa é a realidade não só da Bahia, mas do Brasil inteiro. Por isso, inclusive, quando a gente leva essa palestra para o Brasil todo, a gente consegue falar com o empresário, mostrando para ele como que ele pode aumentar o lucro da empresa dele, utilizando os bancos para isso”, afirmou.

Na avaliação de Macedo, grandes empresas recorrem a recursos de terceiros, em vez de utilizar exclusivamente o próprio dinheiro para financiar suas operações. Por isso, considera fundamental que o empresário saiba qual linha de crédito atende às necessidades do negócio, sem deixar toda a decisão nas mãos do gerente bancário. “Grandes empresas, elas nunca utilizam o próprio dinheiro. \[...\] Elas sempre utilizam recursos de terceiros. Quem são esses terceiros? São os bancos”, explicou.

Ele ressaltou que o gerente bancário trabalha com metas e que o empreendedor precisa conhecer as opções disponíveis para tomar decisões mais adequadas. Para Macedo, a informação é decisiva na relação entre empresas e instituições financeiras. “É a informação que o empresário tem que ter”, destacou.

CRÉDITO E OPORTUNIDADES DE VENDA

Durante a entrevista, Wal Macedo também antecipou exemplos de oportunidades comerciais que, segundo ele, ainda são pouco exploradas por empresas da região. Um dos casos envolve clientes que não possuem cartão de crédito ou dinheiro disponível para pagar via Pix. Para o especialista, o empresário precisa conhecer alternativas que permitam atender esse público.

Ele citou soluções já existentes em regiões do Sudeste e no norte de Minas Gerais e afirmou que pretende apresentar aos participantes do encontro os caminhos para acessar essas possibilidades. “Tem muita grana na mesa que os empresários ainda não sabem como fazer para ter acesso a ela”, disse.

Outro exemplo apresentado foi o uso de cartões ou vouchers de alimentação e refeição. Segundo ele, profissionais de bancos, da Justiça, do setor público e de grandes empresas privadas recebem esse benefício mensalmente, mas muitos restaurantes da região não aceitam essa modalidade de pagamento.

Ele estimou que o valor médio mensal desses benefícios no Brasil fica entre R$ 600 e R$ 700 e explicou que a falta de habilitação para receber os pagamentos pode impedir que parte desses recursos circule no comércio local. “Você não faz ideia, Vila, da quantidade de restaurantes aqui na nossa região que não aceitam esse serviço”, afirmou.

O especialista observou que alguns empresários deixam de aceitar os vouchers por considerarem elevadas as taxas cobradas pelas maquininhas ou por acreditarem que poucos clientes utilizam essa forma de pagamento. Na palestra, ele pretende explicar como acessar esse mercado.

Wal Macedo também adiantou que apresentará um exemplo envolvendo pizzarias de cidades turísticas, como Porto Seguro e Gramado. Ele mencionou a resposta frequentemente dada por garçons quando os clientes perguntam qual é a melhor pizza da casa, mas deixou a explicação para o encontro.

Ao agradecer a Anselmo, da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), pela iniciativa de levar a palestra à região, o especialista ressaltou que o objetivo é oferecer orientações que possam ser aplicadas no cotidiano das empresas. “Eu falo que é uma palestra aplicável. É algo que você escuta num dia e no outro dia você já consegue colocar em prática através da sua conta no banco, através da conversa com o seu gerente”, afirmou.

PREPARAÇÃO É FUNDAMENTAL PARA CONSEGUIR CRÉDITO

Questionado por Vila Nova sobre a possível resistência dos gerentes bancários diante de empresários mais bem informados, Macedo afirmou que não costuma haver resistência, já que os próprios profissionais dos bancos possuem metas de concessão de crédito.

Segundo ele, cada gerente pode ter uma meta diária de pelo menos R$ 1 milhão em empréstimos para empresas. Entretanto, o acesso aos recursos depende também da preparação do empreendedor e do cumprimento das exigências de cada linha de financiamento. “Não adianta você ter ali uma empresa com faturamento, o seu negócio todo redondo, mas você não saber as regras que o BNDES exige para você acessar aquele crédito”, explicou.

Macedo citou como exemplo a elaboração de projetos para solicitar financiamentos. De acordo com ele, muitos empresários se assustam quando precisam apresentar um projeto para obter recursos, mas esse processo não precisa ser visto como algo extremamente complexo. “Não existe ninguém, Vila, que conhece mais a sua própria empresa do que o próprio empresário”, afirmou.

O especialista destacou que a palestra é voltada a empreendedores de todos os portes, desde microempreendedores individuais (MEIs) até grandes empresas. Ele explicou que os bancos trabalham com segmentações e disponibilizam linhas de crédito específicas para diferentes perfis empresariais. “Para todos os segmentos existem créditos disponíveis”, ressaltou.

SCORE DO SERASA NÃO É O ÚNICO CRITÉRIO PARA O CRÉDITO

Outro ponto discutido na entrevista foi a importância do score de crédito. Ao ser questionado sobre a relevância da pontuação do Serasa para conseguir financiamentos, Wal Macedo afirmou que existe uma diferença entre a avaliação feita pelos birôs de crédito e os critérios utilizados pelos bancos.

Ele explicou que as instituições financeiras trabalham com uma classificação interna chamada rating bancário, que, segundo o especialista, influencia a aprovação de operações que vão desde cartões de crédito para pessoas físicas até financiamentos empresariais. “Criou-se uma cultura no Brasil de que para você acessar crédito, você tem que ter o seu score alto. \[...\] Porém, os bancos não utilizam o score do Serasa. O que o banco utiliza é um negócio chamado rating bancário, que é a nota que todos nós temos”, afirmou.

Wal Macedo esclareceu que o score do Serasa é utilizado por outras empresas que oferecem crédito, como estabelecimentos comerciais que disponibilizam crediários próprios. Já os bancos, segundo ele, consultam os birôs principalmente para verificar se há restrições vinculadas ao CPF, enquanto a análise interna considera outros critérios. “O banco precisa de uma informação, que é: essa pessoa hoje tem restrição? Sim ou não? É a única informação que o banco utiliza dos birôs de crédito. Dessa informação em diante, é tudo o rating bancário”, explicou.

O especialista acrescentou que pessoas com restrições financeiras podem conseguir crédito, enquanto outras sem restrições podem ter pedidos de financiamento negados. Para ele, essa diferença está relacionada à avaliação interna realizada pelas instituições.

Com experiência no setor bancário desde 2007, Wal Macedo contou que começou a compartilhar esse tipo de informação depois de perceber que tanto pessoas físicas quanto empresários desconheciam os critérios utilizados pelos bancos.

Ele citou, como exemplo, a possibilidade de adquirir veículos com desconto por meio do CNPJ, dependendo das condições da operação e da avaliação bancária. Segundo o especialista, o compartilhamento dessas orientações ampliou o alcance de seu trabalho nas redes sociais.

Wal Macedo afirmou que já ultrapassou 1,05 milhão de seguidores e relatou casos de empresários que conseguiram retomar investimentos após enfrentarem dificuldades para obter crédito. “Você imagina, Vila, que eu tenho um relato lá dos mais variados segmentos de empresário dizendo assim: ‘Val, cara, sabe o que eu mais me orgulho aqui agora? É porque eu estava travado no banco há anos sem conseguir um crédito para comprar uma máquina ou equipamento’”, contou.

Ele também mencionou empreendedores que conseguiram acesso a cartões com limites de R$ 50 mil ou R$ 100 mil para realizar compras com fornecedores. Para Wal Macedo, os relatos demonstram como o conhecimento sobre o sistema financeiro pode abrir oportunidades para os negócios.

ATUALIZAÇÃO PROFISSIONAL TAMBÉM FAZ DIFERENÇA

Ao falar sobre o nível de conhecimento dos gerentes bancários, Wal Macedo ponderou que existem profissionais com diferentes graus de experiência e atualização. Ele comparou a atividade bancária à contabilidade, destacando a necessidade de acompanhar mudanças constantes nas regras e nas oportunidades do mercado.

Segundo o especialista, nem sempre a falta de orientação ocorre por resistência do gerente. Em alguns casos, o profissional pode desconhecer determinada informação por não estar atualizado. Em outros, o tempo disponível para atender cada cliente dificulta uma orientação mais aprofundada. “Quando eu trago essa narrativa dizendo assim, olha, esse tipo de coisa que o gerente não vai te contar, tem dois pontos. O primeiro deles é que o gerente, às vezes, pode não saber realmente da informação por uma questão de atualização. Está tudo bem. E o segundo ponto que é a questão do timing”, explicou.

Ele ressaltou que conhecer uma oportunidade no momento adequado pode fazer diferença para o empresário, especialmente quando existem prazos e condições específicas para acessar determinados benefícios.

Wal Macedo também observou uma mudança no perfil dos profissionais bancários, que, em sua avaliação, vêm assumindo cada vez mais uma função consultiva, com conhecimento sobre balanços, indicadores financeiros e estratégias para o desenvolvimento das empresas.

O especialista informou que suas plataformas de formação já reuniam mais de 82 mil alunos, incluindo profissionais do setor bancário que buscam atualização.

PERDÃO DE DÍVIDAS NÃO GARANTE NOVO CRÉDITO

A possibilidade de o perdão de dívidas de MEIs facilitar o acesso a novos financiamentos também foi abordada na conversa. Wal Macedo ponderou que ainda era cedo para afirmar que a regularização dessas pendências garantiria crédito imediato.

Ele explicou que o perdão de uma dívida fiscal não significa, necessariamente, a eliminação de um histórico de prejuízo causado a uma instituição financeira. Por isso, a recuperação da capacidade de obter crédito depende de outros fatores. “Não é o fato de você ter sua dívida perdoada que no outro dia você vai conseguir um crédito. Você vai ter que restabelecer a sua nota interna”, afirmou.

De acordo com Wal Macedo, a recuperação do rating bancário pode levar tempo. Ele também destacou a importância de um planejamento estratégico para escolher a instituição financeira com a qual o empresário pretende reconstruir seu relacionamento de crédito.

Na avaliação do especialista, quem teve problemas com uma instituição deve analisar cuidadosamente as opções antes de solicitar novos recursos, considerando a possibilidade de iniciar um relacionamento com outro banco.

Questionado sobre a utilização de bancos digitais por empresas, ele ponderou que muitas dessas instituições são fintechs e não oferecem todos os produtos disponíveis para pessoas jurídicas. “Banco digital pode ser interessante para a pessoa física, mas para quem é empresário eu não recomendo”, declarou.

RATING BANCÁRIO PODE INFLUENCIAR O VALOR DE UMA EMPRESA

A entrevista também abordou a relação entre a avaliação bancária e o valor de mercado de um negócio. Wal Macedo afirmou que uma empresa com crédito pré-aprovado pode ter um diferencial em uma negociação, desde que essa condição esteja devidamente demonstrada em seus registros financeiros.

Para exemplificar, ele propôs imaginar uma empresa colocada à venda que, além de seu valor patrimonial, possua R$ 15 milhões em crédito previamente liberado pelo banco. “Você concorda que esse X vai sofrer um aumento?”, questionou, ao explicar que a disponibilidade de recursos pode influenciar a avaliação do negócio.

Wal Macedo aproveitou o tema para citar empresas de Ilhéus que, segundo ele, demonstram capacidade de competir em mercados mais amplos. Entre os exemplos, mencionou uma empresa do polo de informática que fornece equipamentos para os Estados Unidos e atua no segmento de drones, competindo com grandes fabricantes mundiais.

Ele também destacou escritórios de contabilidade da cidade que, conforme relatou, conquistaram clientes em âmbito nacional.

CONTABILIDADE E PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

Wal Macedo chamou a atenção para a importância de uma contabilidade preparada para identificar oportunidades tributárias específicas de cada atividade econômica.

Como exemplo, mencionou supermercados, mercearias, lanchonetes e hortifrutis, negócios que podem trabalhar com produtos submetidos a diferentes alíquotas tributárias. Segundo ele, a ausência de uma análise adequada das particularidades das mercadorias comercializadas pode representar perda financeira para o empresário. “Se, por exemplo, hoje, na sua contabilidade, você está sendo tratado como dono do supermercado e dentro da contabilidade não há uma divisão sobre o seu segmento que você vende, você já está perdendo dinheiro”, afirmou.

O especialista ressaltou que o contador precisa conhecer as regras tributárias e ajudar o empreendedor a estruturar estratégias para pagar os impostos de forma adequada, aproveitando as possibilidades previstas na legislação.

Wal Macedo relatou ainda ter participado, em Petrolina, de um evento voltado a mais de 400 contadores do Nordeste, no qual discutiu a importância da informação para empresários e profissionais da contabilidade.

Para ele, o conhecimento precisa estar presente nos dois lados da relação: o empresário conhece a operação do próprio negócio, enquanto o contador deve contribuir com a especialização técnica necessária para orientar as decisões financeiras e tributárias. “Porque, no fundo, Vila, tanto o empresário quanto o contador, eles têm que ter a informação. Se o contador não tem, o empresário, por sua vez, também não vai ter”, concluiu.

Confira a entrevista completa: 

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