Aguarde, carregando...

O Tabuleiro

WENCESLAU JÚNIOR CRITICA DISPUTA ELEITORAL MARCADA POR DINHEIRO E USO DE MÁQUINAS PÚBLICAS

WENCESLAU JÚNIOR CRITICA DISPUTA ELEITORAL MARCADA POR DINHEIRO E USO DE MÁQUINAS PÚBLICAS
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 20/10/2026 17h46

Professor da Uesc recebeu 32.866 votos para deputado estadual, avaliou mudanças na Bahia, analisou o avanço da extrema-direita e comentou a mobilização política no segundo turno

O professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Wenceslau Júnior, afirmou que o poder econômico e o uso de estruturas públicas favoreceram determinadas candidaturas nas eleições deste ano. Em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta terça-feira (20), ele comparou a disputa atual com sua primeira candidatura a deputado estadual, em 2010, e analisou o cenário político brasileiro, a atuação dos movimentos sociais e a expectativa para o segundo turno presidencial.

Candidato pela Federação Brasil da Esperança, Wenceslau obteve 32.866 votos. Antes de voltar às urnas, havia passado 14 anos sem disputar eleições. Sua trajetória começou na militância, onde permaneceu por dez anos antes de concorrer a vereador em Itabuna, em 2000. Após ficar na suplência e assumir o mandato, foi reeleito em 2004 e voltou a conquistar uma vaga em 2008.

Em 2010, disputou pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), alcançando 31.832 votos. Posteriormente, foi vice-prefeito de Itabuna. Sua última participação eleitoral antes da candidatura deste ano havia ocorrido em 2012.

O retorno à política eleitoral foi motivado, segundo ele, pela experiência adquirida na Superintendência de Economia Solidária e Cooperativismo, cargo que assumiu após convite do governador Jerônimo Rodrigues. Durante três anos e meio, percorreu diferentes regiões da Bahia e acompanhou iniciativas de empreendedorismo popular, associações, cooperativas e finanças solidárias.

A atuação junto a esses segmentos contribuiu para que movimentos sociais e integrantes da economia solidária o convocassem para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. “Essa turma me convocou para sair candidato, representando esse segmento. Óbvio que a gente tem aqui uma história no litoral sul, no extremo sul, na Costa. E a gente juntou essa bagagem, essa experiência e atendeu a esse chamado do partido e dos movimentos sociais”, afirmou.

Apesar de não ter conquistado o mandato, Wenceslau considerou o resultado expressivo diante das condições de sua campanha. Ele observou que a votação ficou próxima à de 2010 e afirmou que, naquela ocasião, o mesmo desempenho teria sido suficiente para elegê-lo. “Eu acho que, para as condições econômicas e materiais que nossa candidatura teve, foi uma excelente votação”, avaliou.

Ao comparar as duas campanhas, realizadas com 16 anos de diferença, Wenceslau apontou avanços na infraestrutura e nos serviços públicos do estado. Durante as viagens que fez de carro pela Bahia, observou estradas, em sua maioria, em boas condições, além da expansão das escolas de tempo integral, do ensino superior e tecnológico.

Também citou o desenvolvimento da agricultura familiar, a construção de centros de abastecimento e a maior organização das cidades. Na saúde, destacou a interiorização de hospitais e a implantação das policlínicas, que ampliaram a oferta de exames e serviços de média complexidade.

Para o professor, o tempo transcorrido permitiu perceber resultados que ainda não eram tão evidentes em 2010, durante o primeiro mandato de Jaques Wagner.

A avaliação sobre as mudanças no estado, entretanto, foi acompanhada de críticas ao ambiente eleitoral. Wenceslau afirmou que a disputa deste ano foi marcada por uma presença mais intensa de recursos financeiros e pelo uso de estruturas públicas em favor de determinados candidatos. “Eu nunca vi uma eleição tão financiarizada. Uma eleição com uso da máquina, uso das máquinas e uso do dinheiro de forma muito forte. Então, a minha campanha foi uma campanha de militância”, declarou.

Emendas e poder econômico desequilibram a disputa

Questionado sobre a influência das emendas parlamentares destinadas às prefeituras, Wenceslau afirmou que os recursos podem ampliar a vantagem de deputados que buscam a reeleição. Ele citou o volume de verbas disponível para os parlamentares e a possibilidade de que a destinação de recursos aos municípios se converta em apoio político. 

O professor também criticou candidaturas financiadas por pessoas com grande capacidade econômica, especialmente quando os gastos eleitorais são tratados como um investimento para obter vantagens futuras. “Tem uma turma que tem uma grana e entende que o mandato não é para fazer política em prol da sociedade. É para fazer negócios”, afirmou.

Na avaliação de Wenceslau, essa lógica contribui para a redução do espaço de candidaturas ligadas aos trabalhadores e aos movimentos sociais. Ele observou que a representação sindical e popular no Congresso Nacional era maior nos anos de 2002, 2006 e 2010.

Apesar das críticas ao modelo, o professor defendeu o financiamento público das campanhas. Para ele, esse mecanismo é necessário para permitir que candidatos comprometidos com segmentos populares tenham condições de disputar eleições.

Wenceslau citou pautas ligadas às comunidades indígenas e quilombolas, aos ambulantes, aos catadores de materiais recicláveis e à economia solidária, argumentando que esses grupos dificilmente conseguiriam apoio financeiro empresarial suficiente para sustentar suas candidaturas. “Eu defendo porque eu acho que, se não tivesse, se não houvesse o financiamento público, seria pior”, afirmou.

O problema, segundo ele, está nas desigualdades que permanecem no sistema eleitoral, com diferenças entre os fundos partidários, além da influência das emendas parlamentares e das estruturas municipais.

Avanço conservador preocupa o professor

A redução da representação dos trabalhadores no Congresso levou Wenceslau a analisar o crescimento da extrema-direita no Brasil e em outros países. Para ele, o fenômeno faz parte de uma transformação política internacional que acompanha as crises do sistema capitalista. “O sistema capitalista vai se reinventando, colocando novos nomes, novas capas para poder tentar sobreviver. Infelizmente, essa última reinvenção que eles estão fazendo da ultradireita, dessa turma aí do Trump e tal, é algo muito perverso”, declarou.

O professor demonstrou preocupação com a adesão popular a ideias conservadoras, inclusive em países com sociedades e estruturas científicas desenvolvidas. Para explicar esse movimento, comparou a trajetória das sociedades a uma espiral, que alterna períodos de avanço e retrocesso.

Enfraquecimento sindical e retomada das mobilizações

Ao ser questionado se os movimentos sociais e sindicais estariam acomodados após anos de governos alinhados a suas pautas, Wenceslau reconheceu que parte dessas organizações reduziu a mobilização depois de vitórias eleitorais. Ressaltou, porém, que o enfraquecimento também está relacionado às mudanças ocorridas após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Segundo ele, reformas trabalhistas e dificuldades financeiras comprometeram a capacidade de atuação de diversos sindicatos. O fim do imposto sindical, na avaliação do professor, agravou o problema, deixando muitas entidades dependentes das mensalidades dos associados.

Wenceslau citou os sindicatos dos bancários e dos petroleiros como exemplos de organizações que ainda mantêm alguma estrutura para a atuação política, enquanto outras enfrentam dificuldades para financiar suas atividades.

Ele defendeu que os movimentos sociais continuem pressionando os governos, mesmo quando os ocupantes do poder são aliados de suas pautas. "Se a gente ganha uma eleição e um presidente é vinculado a nós, um governador vinculado a nós, aí que o movimento tem que azeitar para poder fazer com que ele avance”, afirmou.

Na análise sobre o segundo turno presidencial, o professor avaliou que parte do eleitorado demorou a perceber o que estava em jogo. Citou preocupações com a aposentadoria e com o financiamento das universidades públicas como fatores capazes de mobilizar diferentes segmentos da sociedade.

Sobre o ensino superior, demonstrou preocupação com uma possível transferência das universidades do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Em sua avaliação, essa mudança poderia comprometer o financiamento das instituições, por alterar sua relação com os recursos obrigatórios destinados à educação.

Wenceslau afirmou que as preocupações com essas pautas contribuíram para a mobilização dos estudantes e recordou episódios históricos de participação estudantil, como as manifestações contra a ditadura militar, a campanha pelas eleições diretas e os protestos que antecederam o impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992.

Para ele, a juventude voltou a ocupar as ruas de forma politicamente consciente, e essa mobilização pode influenciar o resultado eleitoral.

Redes sociais também entram na disputa

Wenceslau avaliou que a mobilização nas ruas precisa ser acompanhada pela atuação nas redes sociais. Ele elogiou a estratégia digital do deputado federal André Janones em favor da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, destacando a articulação de apoiadores pelo WhatsApp e a organização das publicações.

Segundo o professor, essa estratégia permitiu que os apoiadores de Lula deixassem de apenas responder aos temas levantados pelos adversários e passassem a pautar as discussões na internet. 

Ele acredita que a combinação entre manifestações presenciais e mobilização digital pode favorecer uma virada eleitoral no segundo turno.

Críticas ao debate presidencial

Na avaliação de Wenceslau, o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro foi marcado por provocações e não contribuiu para uma discussão consistente de propostas. O professor criticou a postura de Flávio, que classificou como arrogante, intimidatória e violenta.

Para ele, o formato do programa também prejudicou o confronto de ideias, por favorecer a produção de cortes para as redes sociais em vez de priorizar a discussão de temas como saúde e educação.

Wenceslau vê oportunismo no apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro

Questionado sobre o apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro depois da eleição para o governo da Bahia, Wenceslau afirmou que o ex-prefeito de Salvador evitou se posicionar no primeiro turno para não perder eleitores que votavam nele para o governo estadual, mas apoiavam Lula na disputa presidencial. “Foi um oportunismo político ele não ter se posicionado no primeiro turno para não perder esses votos”, avaliou.

Para o professor, o apoio posterior evidenciou o alinhamento de ACM Neto com o bolsonarismo. Ele também afirmou acreditar que uma vitória de Lula no segundo turno poderá influenciar as próximas disputas políticas na Bahia, incluindo a eleição para a Prefeitura de Salvador.

Wenceslau citou investimentos estaduais na capital, como a ampliação do metrô, o VLT, a nova rodoviária, obras de mobilidade e contenção de encostas, além de iniciativas nas áreas da saúde e da cultura. Na avaliação dele, essas ações ampliaram a visibilidade do governo estadual em Salvador.

Trabalho na economia solidária marcou trajetória

Ao fazer um balanço da candidatura, Wenceslau afirmou que a experiência eleitoral trouxe aprendizados e destacou que a atuação política não depende necessariamente da conquista de um mandato. “Eu acho que tudo na minha vida é aprendizado. Eu acho que a gente não perde. Quando a gente não ganha, a gente aprende”, declarou.

O professor citou o trabalho com mulheres catadoras de materiais recicláveis em Itabuna, que, segundo ele, conseguiram melhorar as condições de vida e alcançar renda superior a um salário mínimo. Também relatou a experiência de ajudar uma quebradeira de licuri a adquirir uma máquina para facilitar a produção de alimentos, como a cocada.

Para Wenceslau, acompanhar os resultados dessas iniciativas é uma das principais recompensas do trabalho público.

Ele afirmou ter honrado a oportunidade recebida durante os três anos e meio à frente da Superintendência de Economia Solidária e Cooperativismo. Ao recordar sua trajetória no movimento estudantil, também mencionou conquistas como a meia-passagem em Itabuna e Ilhéus, o acesso a espetáculos de cinema, a estadualização da FESP e a criação da Uesc.

Wenceslau agradeceu aos eleitores que apoiaram sua candidatura em diferentes regiões da Bahia. Citou municípios como Itabuna, Ilhéus, Porto Seguro, Salvador, Teixeira de Freitas, Prado, Santa Cruz Cabrália e Anguera.

Segundo ele, recebeu votos em mais de 300 municípios baianos, resultado que considerou motivo de honra e satisfação.

Ao final, reafirmou a expectativa pela vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno e defendeu a continuidade de um projeto de país baseado na soberania, na justiça e na solidariedade. “E dizer que a luta continua, que eu espero, domingo, festejar a vitória do presidente Lula, para que a gente possa recomeçar esse processo de construção de um Brasil soberano, justo e solidário”, concluiu.

Confira a entrevista completa: 

" target="_blank">

Deixe seu comentário para WENCESLAU JÚNIOR CRITICA DISPUTA ELEITORAL MARCADA POR DINHEIRO E USO DE MÁQUINAS PÚBLICAS

* Campos obrigatórios
Avalie Este Conteúdo: 1 2 3 4 5

Veja também:

Confira mais artigos relacionados e fique ainda mais informado!