Aguarde, carregando...

O Tabuleiro

Pawlo Cidade

Pawlo Cidade

NÓS CRIAMOS NOSSA PRÓPRIA ETERNIDADE

Geralmente eu não começo minhas crônicas com o título. E quase sempre vocês só conseguem ficar sabendo do título se acessarem o site do Tabuleiro (http://www.otabuleiro.com.br/categoria/coluna ). Pois bem, o título de hoje remete a um desejo de muita gente: Viver para sempre. Viver para sempre os inúmeros momentos bons que passamos ao lado de alguém que amamos, ao lado dos nossos filhos, ao lado das pequenas coisas que consideramos importantes. Como morar numa rua bacana, por exemplo. Pode parecer a coisa mais simples do mundo, mas, morar onde te faz bem desperta em nós o desejo de nunca ter que sair dali. Talvez seja este o sentimento de pertencimento quando amamos o lugar que nascemos e vivemos.

O fato é que nós criamos nossa própria eternidade.

O mesmo podemos afirmar quando amamos alguém. Queremos que cada momento que passamos juntos possam durar toda a eternidade. Mas aí, quando acordamos e descobrimos que nem todas as pessoas pensam assim, bate um desalento. Uma tristeza. Antigamente, muitos anos atrás, se dizia que o casamento era uma união eterna. O juramento já diz, “até que a morte nos separe”. Hoje, apesar de fazermos o mesmo juramento, as pessoas se casam com a frase: “Que seja eterno enquanto dure”. Ou seja, se não der certo, a gente separa, se casa de novo, ou não, e segue a vida.

Eu acho que o divórcio – alguém pode neste momento estar se separando –, o fim de um namoro, a despedida, a ingratidão, o desejo de ferir o outro, não é um plano de Deus. Nunca foi. Mas Ele permite. E por que, permite? Talvez você saiba a resposta. Talvez não. Talvez nunca sequer entenda por que está passando pelo fim de um relacionamento. Ninguém está isento de viver uma situação como esta.

Um certo pensador dizia que devemos viver o hoje como se fosse viver o último dia. Mas que devemos batalhar, estudar, trabalhar, amar como se fosse viver para sempre. Eu sou desses. Eu trabalho, estudo, batalho, amo. Fico pensando no que eu posso fazer pelo meu semelhante se alcançar uma posição, um status ou um título. De nada adianta tê-los pendurados na parede se nada posso fazer pelo meu amigo, minha amiga, meu irmão, minha irmã, meu pai, minha mãe. Nem todos compreendem a matriz dionisíaca que se apodera daqueles que sobem no palco. É para poucos. Muitos são chamados. Poucos são escolhidos.

Criar nossa própria eternidade é uma virtude daqueles que possuem o dom de amar, de perdoar, de querer estar junto sempre. Você pode até me ofender, me agredir, me desmoralizar, me abandonar, me esquecer. Mas você sempre estará guardado no lado esquerdo do meu peito.  

Eu conheci um pedreiro bom, que trabalhava para um grande construtor. Ele fez muitas propriedades. Mas chegou o dia de se aposentar. O construtor então pediu a ele que fizesse uma última casa. Mesmo a contragosto, cansado daqueles 40 anos de serviços prestados, ele começou a fazer. Mas já não fazia com o mesmo esmero. Fez paredes sem esquadro, pisos desnivelados, telhado com problemas, banheiros com vazamento. Portas e janelas com dificuldades de fechar. Depois de três meses, quando concluiu a casa, o construtor pegou a chave e entregou ao pedreiro dizendo: “Esta casa é sua. Por tudo que você fez por mim ao longo destes anos”. O pedreiro recebeu a chave e chorou feito uma criança.

É preciso dar o melhor de nós, sempre. Não importa se é o último dia ou apenas mais um dia. “Reprime a tua voz de choro e as lágrimas de teus olhos; porque há recompensa para as tuas obras (...)”. Faça. Simplesmente, faça. E viva todos os dias, eternamente.

 

 

Por: Redação O Tabuleiro
Dia 27/11/2019 09h06

Veja mais colunas de Pawlo Cidade:

Confira mais artigos relacionados e fique ainda mais informado!