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“É UM DOCUMENTO QUE, SE VOCÊ APERTAR, SAI SANGUE”, DIZ ROMUALDO LISBOA SOBRE RELATÓRIO FIGUEIREDO QUE SERÁ TEMA DE RESIDÊNCIA ARTÍSTICA EM ILHÉUS

“É UM DOCUMENTO QUE, SE VOCÊ APERTAR, SAI SANGUE”, DIZ ROMUALDO LISBOA SOBRE RELATÓRIO FIGUEIREDO QUE SERÁ TEMA DE RESIDÊNCIA ARTÍSTICA EM ILHÉUS
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 23/02/2026 11h28

Diretor do Teatro Popular de Ilhéus explica que imersão vai estudar o Relatório Figueiredo, documento de 1967 sobre violações contra povos indígenas, para transformá-lo em espetáculo

O diretor e dramaturgo do Teatro Popular de Ilhéus, Romualdo Lisboa, afirmou que o Relatório Figueiredo é “aquele tipo de documento que, se você apertar, sai sangue”, ao explicar o conteúdo que será estudado na residência artística “Teatro, Memória e o Relatório Figueiredo”. A declaração foi dada nesta segunda-feira (23), em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Ilhéus FM.

A residência será realizada de 16 a 20 de março e reunirá 15 artistas e técnicos em regime de imersão na Escola Agrícola e Comunitária Margarida Alves, localizada na rodovia Ilhéus-Uruçuca. Durante cinco dias, os participantes terão transporte no primeiro dia, além de alimentação e hospedagem garantidas pela organização.

Segundo Romualdo, o objetivo é estudar o Relatório Figueiredo — documento produzido em 1967 pelo procurador da República Jader de Figueiredo Correia — e transformar as informações levantadas em material cênico. “O que a gente quer é transformar essas informações todas num espetáculo de teatro”, afirmou.

Ele explicou que o relatório reúne mais de sete mil páginas com o resultado de uma investigação sobre o Serviço de Proteção ao Índio à época. “Ele dá conta de um número absurdo de atrocidades perpetradas, realizadas, assinadas pelo Estado brasileiro contra os povos indígenas”, disse.

Romualdo destacou que o documento detalha casos de violência, grilagem de terras e ações articuladas para tomada forçada de territórios indígenas. Para ele, trata-se do registro “mais impressionante” e “mais doloroso” sobre esse processo histórico.

O diretor também relatou que, após ser entregue a uma comissão mista da Câmara e do Senado, o relatório foi dado como desaparecido depois de um incêndio no Ministério da Agricultura. Com isso, processos judiciais acabaram arquivados. Anos depois, em 2013, durante a implantação da Comissão da Verdade, as páginas originais foram reencontradas no Museu do Índio, no Rio de Janeiro, pelo pesquisador Marcelo Zelik. Atualmente, o conteúdo está disponível integralmente em PDF no site do Ministério Público Federal.

A residência artística integra a programação anual do grupo e marca um momento simbólico da trajetória do Teatro Popular de Ilhéus, que consolida três décadas de atuação em 2025 e inicia um novo ciclo criativo em 2026. Esta edição faz parte do processo de criação da nova obra do grupo, que irá encerrar a trilogia sobre a luta dos povos indígenas, composta ainda por “Borépeteĩ. Uno” (2023) e “O Visconde Partido ao Meio na Guerra do Açu” (2025).

Durante cinco dias, os artistas selecionados viverão na Escola Agrícola e Comunitária Margarida Alves (EACMA), em um espaço de 12 hectares reconhecido pela promoção de uma educação contextualizada, antirracista e anticapacitista voltada para famílias camponesas e comunidades afro-brasileiras e indígenas. Segundo a organização, a escolha do local é também um gesto político, por conectar o estudo do extermínio documentado no Relatório Figueiredo ao território da resistência camponesa e indígena contemporânea.

O processo criativo utilizará a metodologia do Teatro Épico, o gestus brechtiano e a musicalidade política, marcas da linguagem do grupo, com foco especial na memória do povo Tupinambá de Olivença.

As inscrições são gratuitas e seguem abertas até o dia 6 de março. O resultado da seleção será divulgado no dia 10 de março. A chegada dos participantes está prevista para as 8h do dia 16 de março.

Podem se inscrever artistas de qualquer lugar do mundo, desde que tenham disponibilidade para permanecer em regime de internato durante os cinco dias de imersão. Entre os critérios de seleção estão trajetória em teatro de grupo e processos coletivos, interesse na pesquisa sobre o Relatório Figueiredo e na causa indígena, compromisso com a rotina da residência e prioridade para diversidade de raça, gênero e territórios.

O link para inscrição e mais informações é:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdk4oMpkAk1bH65NCND2wtjk2KfwvqNgzQ02muik5JQd7ydow/viewform

O projeto foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.

Confira a entrevista completa:

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