CIRURGIÃO ROSSINI COM 54 MIL SEGUIDORES NO INSTAGRAM RESTRINGE PERFIL APÓS MORTE DE PACIENTE EM CIRURGIã NA BAHIA
Perfil era usado para divulgar procedimentos e resultados; mudança ocorre em meio à investigação da morte de Adriele e à repercussão de antigas denúncias contra o médico
O cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback, que acumulava mais de 54 mil seguidores em seu perfil no Instagram, tornou a conta restrita ao público na última quarta-feira (26), após a morte da empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, durante um procedimento estético em Ilhéus, no sul da Bahia.

Até então, o perfil do médico era aberto e utilizado como vitrine de seu trabalho, onde ele exibia imagens de cirurgias, procedimentos realizados e depoimentos de pacientes. A mudança para o modo privado ocorreu em meio à repercussão do caso e à reabertura de denúncias antigas contra o profissional.
Adriele, que residia nos Estados Unidos, viajou ao Brasil para realizar quatro procedimentos estéticos com Rossini: mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma. A cirurgia, iniciada por volta das 10h de terça-feira (25) no Hospital Vida, em Ilhéus, teria durado cerca de 10 horas.
Segundo a defesa do médico, o procedimento transcorreu sem intercorrências, mas, ao final, a paciente apresentou uma alteração súbita e grave no quadro clínico, compatível com hipertermia maligna — uma condição rara e potencialmente fatal, desencadeada por reação a agentes anestésicos. Medidas de emergência foram tomadas, incluindo a administração de medicação específica, mas a empresária não resistiu.
Familiares relataram que só foram informados da morte na madrugada, após cobrarem por notícias sobre a demora no atendimento. "Durante quase 10h de cirurgia, ele veio me dar essa resposta, que ela tinha vindo a óbito. Me deixaram aflita, pressão alta, não me deram atenção", afirmou Ivanilda de Jesus, tia de Adriele.
A atuação de Rossini não é alvo de críticas apenas agora. Em 2023, uma reportagem do Fantástico revelou que dezenas de pacientes denunciavam o médico por complicações graves após cirurgias plásticas realizadas no Rio de Janeiro e na Bahia. À época, pelo menos 40 pacientes relataram insatisfação com os resultados e complicações como infecções e deformidades.
Uma das vítimas, uma paciente de 69 anos, chegou a afirmar que precisou retirar uma prótese sem anestesia, sob gritos de dor. "Ele começava a apertar o peito. Eu gritava, gritava. Ele dizia: 'Calma, vai passar'", relatou na ocasião. Uma instrumentadora cirúrgica que trabalhou com o médico também fez denúncias, afirmando que os procedimentos eram realizados em condições inadequadas.
A defesa de Rossini, à época, negou as acusações, classificando-as como falsas, e afirmou que o médico jamais havia sido condenado judicialmente. Segundo a defesa, insatisfação com resultados não configura erro médico.
Outro ponto levantado em 2023 foi a imposição de contratos com cláusulas de sigilo que previam multa de R$ 50 mil para pacientes que expusessem complicações. A prática foi classificada por uma advogada ouvida pelo Fantástico como "mordaça jurídica".
Sobre as denúncias atuais, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que não há, até o momento, processo ético-profissional em tramitação contra o médico relacionado à morte da empresária. Em relação às denúncias anteriores, o órgão afirmou que os resultados foram comunicados às partes envolvidas, mas preservados por sigilo processual.
A Polícia Civil da Bahia investiga as circunstâncias da morte de Adriele e já havia apurado, em 2023, oito denúncias envolvendo Rossini e outro médico, em Itabuna e Porto Seguro.
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