DE ONDE VIM É ONDE QUERO CHEGAR
Por Hélio Ricardo
Há pessoas que constroem uma carreira. Outras constroem uma história.
Depois de acompanhar a trajetória de Magno Lavigne, compreendi que sua caminhada jamais poderá ser medida apenas pelos cargos que ocupou. Ela precisa ser contada pelas pessoas que encontrou, pelas causas que abraçou e pelos valores que nunca deixou para trás.
Tudo começou na Zona Sul de Ilhéus, entre o Nelson Costa e o Pontal. Foi ali que o menino Magno cresceu, cercado pelos amigos que continuam fazendo parte de sua vida até hoje e pelos ensinamentos de Dona Graça, indígena Tupinambá de Olivença, e de Seu Pacheco.
Naquela casa, sempre havia espaço para quem precisasse de acolhimento. A solidariedade era um gesto simples, vivido todos os dias. Foi nesse ambiente que ele aprendeu que servir ao próximo vale muito mais do que qualquer reconhecimento.
Na juventude, descobriu no movimento estudantil sua primeira escola de cidadania. Ali, entendeu que ouvir é tão importante quanto falar e que a política só faz sentido quando nasce do diálogo e da participação. Também percebeu que nenhuma transformação verdadeira acontece sem conhecimento.
Cursou História na Universidade Estadual de Santa Cruz, graduou-se em Direito e fez da educação uma escolha para toda a vida. Não por acaso, costuma dizer aos jovens que estudar, qualificar-se e acreditar no próprio potencial é uma das formas mais seguras de transformar o próprio destino.
Foi essa convicção que o levou ao movimento sindical. Como um dos fundadores da União Geral dos Trabalhadores, ajudou a construir uma entidade comprometida com a defesa dos direitos dos trabalhadores. Consolidou, ali, uma certeza que o acompanha até hoje: desenvolvimento só é verdadeiro quando gera oportunidades, protege direitos e preserva a dignidade de quem vive do próprio trabalho.
Essa caminhada o levou a atuar nos governos municipal de Ilhéus e estadual da Bahia, até chegar ao Ministério do Trabalho, onde exerceu a função de secretário executivo.
Nesse período, participou da criação e implantação do Programa Manuel Querino, uma iniciativa voltada à qualificação profissional e à ampliação de oportunidades. Mais do que um programa de governo, ele enxergava ali a confirmação de um princípio que sempre defendeu: quando se investe em educação e qualificação, investe-se na liberdade, na dignidade e no futuro das pessoas.
Talvez seja por isso que continue defendendo, com tanta convicção, a valorização do trabalho, a ampliação das oportunidades para a juventude, a qualificação profissional, o debate sobre o fim da escala 6x1 e a criação de um salário mínimo baiano capaz de fortalecer a economia sem deixar ninguém para trás.
Filho de uma família Tupinambá de Olivença, Magno aprendeu desde cedo que a diversidade é uma riqueza. Respeita as matrizes africanas, os povos indígenas, as comunidades quilombolas, todas as religiões e todas as pessoas. Para ele, uma sociedade justa começa pelo respeito.
Casado e pai atencioso e amoroso, tem na família sua maior referência. Os amigos da infância continuam presentes em sua caminhada. Ilhéus permanece sendo o lugar onde suas raízes se fortalecem, enquanto Salvador se tornou a cidade que ampliou seus horizontes e consolidou sua atuação em favor de toda a Bahia.
Existe uma frase que resume sua maneira de enxergar a vida: “Ninguém deve perder a dignidade para levar o pão de cada dia para casa.”
Mais do que uma frase, ela traduz muito do que aprendeu ainda menino, observando Dona Graça e Seu Pacheco acolherem pessoas sem perguntar quem eram ou de onde vinham.
Ao terminar este texto, não penso nos cargos que Magno Lavigne ocupou. Penso no menino que cresceu entre as ruas do Nelson Costa e do Pontal, aprendendo que servir vale mais do que aparecer.
Penso no jovem que encontrou na educação um caminho de liberdade, que fez da luta sindical uma missão e que nunca deixou de acreditar que trabalho, respeito e dignidade podem transformar destinos.Penso no compromisso que o levou à vida pública, à criação do Programa Manuel Querino e à defesa contínua da valorização do trabalho e da qualificação profissional.Penso, sobretudo, na Bahia que ele acredita ser possível: mais justa, mais humana, com trabalho, respeito e oportunidades para todos.
Essa, para mim, é a parte mais bonita de sua história.
Não a do homem que chegou longe, mas a do homem que, chegando longe, nunca deixou sua origem para trás.
Deixe seu comentário para DE ONDE VIM É ONDE QUERO CHEGAR