ELEIÇÃO DE 2026 NÃO SERÁ FÁCIL E LEITURA DAS PESQUISAS PEDE CAUTELA, SEGUNDO ALISSON GONÇALVES
Superintendente da SDE afirma que levantamentos representam retratos do momento e considera prematuro antecipar o resultado eleitoral
A avaliação de que a eleição de 2026 não será fácil foi compartilhada por Alisson Gonçalves, superintendente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE), durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quinta-feira (17). Questionado pelo comunicador e apresentador Vila Nova sobre os números de pesquisas eleitorais e a declaração de Rui Costa de que o PT venceria, mas encontraria uma disputa apertada, Alisson defendeu cautela na interpretação dos levantamentos.
Para ele, uma pesquisa não pode ser considerada boa ou ruim apenas por estar de acordo com a preferência de determinado grupo político. O superintendente concordou com Vila Nova que o levantamento deve ser compreendido como um retrato do momento em que foi realizado e como um indicador de tendência. "Eu não posso dizer que uma pesquisa é boa ou ruim porque ela atende ou não atende ao meu lado. Como você mesmo disse, pesquisa é retrato de momento. Ela aponta uma tendência”, afirmou.
Alisson também chamou atenção para a metodologia utilizada pelos institutos, principalmente em relação à distribuição do eleitorado entre diferentes regiões. Ele defendeu que os levantamentos considerem de forma adequada o peso do interior na composição eleitoral.
Na análise do superintendente, as dificuldades de acesso a determinadas localidades podem interferir na coleta das entrevistas. Ele citou como exemplo regiões rurais onde até mesmo levantamentos populacionais enfrentam obstáculos para alcançar os moradores.
A partir desse raciocínio, Alisson afirmou que os números apresentados pelas pesquisas devem ser observados dentro do contexto em que foram produzidos. Para ele, o resultado efetivo só pode ser conhecido no momento da votação. “Pesquisa boa é a urna aberta”, declarou.
Durante a entrevista, Alisson também comentou o cenário político da Bahia. Ao abordar a campanha de ACM Neto, mencionou a troca de toda a equipe de comunicação próximo ao período eleitoral e avaliou que uma mudança desse porte poderia indicar dificuldades na condução da candidatura.
Ele fez, porém, uma distinção entre problemas na organização de uma campanha e o resultado das urnas. Segundo Alisson, a mudança de equipe não permite afirmar antecipadamente que determinado candidato será derrotado.
A análise também passou pela situação econômica e sua influência sobre o comportamento do eleitorado. Alisson afirmou que existe uma percepção de que a economia ainda não reage da maneira esperada por parte da população e relacionou esse cenário ao endividamento das famílias.
O superintendente também citou a influência das redes sociais e das plataformas de comércio sobre os hábitos de consumo, afirmando que a exposição a produtos e padrões de consumo pode estimular novas dívidas. “Isso está levando a população ao endividamento”, afirmou.
Ao tratar do cenário nacional, Alisson destacou o peso eleitoral do Norte e do Nordeste e afirmou que considera o comportamento dessas regiões na análise da disputa. Também mencionou o desempenho de outras áreas do país e comparou o cenário atual com eleições anteriores.
Sobre a possibilidade de uma definição ainda no primeiro turno, Alisson considerou precipitado antecipar o resultado. Segundo ele, o cenário pode mudar ao longo do processo eleitoral, especialmente diante da movimentação de outras candidaturas.
O entrevistado avaliou que o crescimento de novos nomes pode alterar a distribuição dos votos e a configuração da disputa. Ao mesmo tempo, não descartou a possibilidade de uma definição no primeiro turno.
Ao concluir a análise, Alisson voltou a defender cautela na leitura das pesquisas e afirmou que os levantamentos devem ser avaliados levando em conta a metodologia utilizada, a distribuição regional da amostra e o momento em que foram realizados. “É temerário dizer” qual será o resultado antes que o processo eleitoral se consolide, afirmou.
Confira a entrevista completa:
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