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ESPETÁCULO "O PAPELEIRO" DISCUTE OS LIMITES DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A BUSCA PELA ESSÊNCIA HUMANA

ESPETÁCULO "O PAPELEIRO" DISCUTE OS LIMITES DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A BUSCA PELA ESSÊNCIA HUMANA
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 11/06/2026 10h33

Durante entrevista ao programa O Tabuleiro, Naiara Gramacho e João Lopes destacaram as reflexões propostas pela peça, que estreia nesta quinta-feira (11)

O espetáculo O Papeleiro estreia nesta quinta-feira (11), em Ilhéus, propondo ao público uma reflexão sobre os impactos da inteligência artificial, os papéis assumidos ao longo da vida e a busca pela essência humana. O tema foi abordado pela diretora Naiara Gramacho e pelo ator João Lopes durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da rádio Ilhéus FM, conduzido pelo comunicador Vila Nova.

Segundo Naiara Gramacho, o texto da peça foi escrito por Pedro Albuquerque há mais de dez anos e, mesmo antes da popularização das ferramentas de inteligência artificial, já trazia questionamentos que hoje se mostram cada vez mais atuais. "Quando eu conheci o texto, a gente ainda nem tinha bombado tanto essa coisa da inteligência artificial. A gente ainda não tinha tanta informação, tanto acesso. E aí, quando surgiu o edital da PNAB em Ilhéus, eu pensei: 'Vamos montar um espetáculo'. Surgiu esse texto de novo e eu falei: 'Bora botar ele para frente'. E aí ele está super atual", afirmou.

A diretora explicou que a história gira em torno de um professor que se vê diante de um cenário em que a tecnologia parece ocupar espaços antes exclusivamente humanos. "O espetáculo gira em torno dessa história, de um professor que se vê no meio desse mundo de inteligências artificiais e fala: 'E agora? O que eu vou fazer? Quem sou eu agora nesse mundo que já não precisa mais de um professor?'", disse.

No entanto, Naiara ressaltou que a peça vai além do debate sobre os avanços tecnológicos.
"Ele vai mais fundo. Vai em torno desses papéis que a gente vai assumindo na vida, que a gente coloca como prioridade, e dessa busca, na verdade, por uma essência, por algo que está por trás disso tudo, que está por trás dos papéis, que está por trás da inteligência artificial, que é essa natureza humana mesmo", destacou.

Para João Lopes, que interpreta o professor na montagem, o espetáculo também provoca uma reflexão sobre autenticidade e criação em tempos de uso crescente da inteligência artificial. O ator contou que o trabalho exigiu uma preparação diferenciada por ser sua primeira experiência com teatro de sombras. "Como é o primeiro trabalho com sombras, eu precisei me encontrar primeiro como sombra, como um ator de sombra. Foi um trabalho muito satisfatório poder dar mais ênfase aos movimentos e às emoções dentro da sombra. A sombra é uma coisa que você não vê. Você está fazendo, mas não vê o que está acontecendo; só depois é que vai verificar", relatou.

Ao comentar a mensagem da peça, João afirmou que a sociedade pode estar perdendo a capacidade de produzir conteúdos autorais. "O que hoje em dia tem se perdido é a nossa capacidade de escrever com autenticidade. Cada vez mais existe esse convite para utilizar a inteligência artificial nos nossos trabalhos e na nossa profissão. Mas, ao mesmo tempo, a gente também está deixando de escrever com autenticidade", observou.

Para ele, preservar a originalidade poderá representar um diferencial nos próximos anos.
"Talvez, daqui a cinco ou sete anos, quem conseguiu se manter autêntico aos seus pensamentos e projetos, mantendo essa capacidade de escrita autoral, seja realmente a pessoa que estará na vanguarda", refletiu.

As apresentações de O Papeleiro seguem até domingo (14), sempre às 18h, em diferentes espaços culturais de Ilhéus. Nesta quinta-feira (11), a estreia acontece no Terreiro Matamba Tombenci, no bairro Conquista. Na sexta-feira (12), o espetáculo será apresentado na Casa da Capoeira, no Galpão X, próximo ao Terminal Rodoviário. No sábado (13), a peça chega à Casa Vento Norte, no bairro São Domingos. Já no domingo (14), a última apresentação será realizada na Arisca, no Pontal.

Naiara Gramacho ressaltou que todas as sessões são gratuitas e abertas ao público.
"O espetáculo é gratuito, é aberto para todo mundo chegar. Não tem limitação de idade. A gente considera mais para um público jovem adulto pela temática, mas as crianças podem ir acompanhadas dos pais", explicou.

A diretora também incentivou a população a participar das atividades culturais promovidas na cidade. "É muito importante a gente poder valorizar. Existem muitos espetáculos gratuitos sendo oferecidos através desse edital da PNAB, além de outras iniciativas de artistas da cidade. Então, bora ocupar esses espaços culturais, bora assistir aos espetáculos e participar dessas atividades artísticas que estão sendo oferecidas", convidou.

Confira a entrevista completa:

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