QUIZILA COMPLETA 28 ANOS COM SHOW DEDICADO À PRÓPRIA HISTÓRIA E À PRODUÇÃO AUTORAL
Apresentação no Pub Delicious, neste sábado (15), marca o lançamento do EP Guias e reúne músicas de diferentes fases da banda ilheense
A banda ilheense Quizila completa 28 anos de trajetória com um show dedicado à própria produção autoral. Intitulada “Quizila toca Quizila”, a apresentação acontece neste sábado (15), às 20h, no Pub Delicious, no Pontal, em Ilhéus, e marca o lançamento do EP Guias. A noite também terá a participação do DJ Seu Múcio.
Em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quinta-feira (13), o músico, compositor e integrante da banda Fabrício Vasconcelos relembrou a formação do grupo, o processo de composição, as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos, a relação com a mídia e o significado do nome Quizila.
A história da banda começou quando os integrantes ainda eram estudantes. Fabrício contou que Binho, guitarrista da Quizila, e Rogério tiveram a ideia de formar o grupo. Na época, Fabrício havia retornado de Salvador e passou a estudar com os integrantes, quando recebeu o convite para fazer parte da banda.
“É basicamente isso aí, 28 anos de caminhada pelo sul da Bahia. Já tivemos em Salvador também algumas vezes, mas nossa base é aqui de Ilhéus”, afirmou.
Segundo o músico, a Quizila surgiu em meio a uma cena cultural que já reunia outras bandas e artistas da cidade. A construção do trabalho foi marcada pela independência e pela produção autoral. Fabrício lembrou que alguns editais públicos realizados ao longo dos anos também ajudaram a banda e outros grupos.
Para ele, uma das maiores recompensas é perceber que as músicas e a história da Quizila atravessaram diferentes momentos e gerações.
“São as histórias que ficam, as vivências, e é gratificante”, resumiu.
Fabrício explicou que não toca instrumentos e costuma desenvolver suas músicas a partir da melodia, escrevendo as letras enquanto a composição ganha forma. Binho é um dos principais parceiros nesse processo. Ele também citou outros músicos que participaram de composições da banda ao longo dos anos, como Marcos Abaga, Marcos Pop e Matheus Vasconcellos.
As próprias experiências cotidianas são uma fonte de inspiração. Uma conversa, uma palavra ou uma frase ouvida na rua pode se transformar em ponto de partida para uma música.
Ele lembrou uma situação ocorrida durante uma viagem a Santa Maria da Vitória. Enquanto algumas pessoas conversavam e um músico tocava violão, uma expressão chamou sua atenção. A partir dela, Binho desenvolveu uma melodia que se encaixou na composição. “Meu processo de composição é esse. As vivências do dia a dia, os temas, as coisas. A gente vai colocando no papel”, explicou.
O tempo necessário para concluir uma música varia. Fabrício contou que algumas composições surgem rapidamente, enquanto outras levam anos. É o caso de “Quando Acordar”, que será apresentada no show deste sábado e está há mais de cinco anos nesse processo de construção. “O processo da criação é relativo”, afirmou.
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a pouca exposição da banda na mídia. Fabrício atribuiu parte dessa dificuldade ao próprio caráter independente da Quizila. Segundo ele, o grupo nunca teve uma pessoa responsável pela produção da banda e tanto ele quanto Binho não possuem muita familiaridade com as redes sociais.
Fabrício e Binho são atualmente os integrantes da formação original que permanecem na banda. Lula, baterista, acompanha o grupo há quase dez anos de forma fixa.
Ele também relacionou a questão à dinâmica do mercado musical e ao espaço destinado a determinados ritmos nas festas populares. Para ilustrar a discussão, citou o cantor Edson Gomes e os questionamentos feitos, em Salvador, sobre a ausência do artista em algumas das principais festas da cidade.
A partir desse exemplo, Fabrício avaliou que existe uma questão semelhante em relação à cena musical de Ilhéus e defendeu maior espaço para bandas e ritmos como o reggae nas festas populares.
A Quizila também viveu períodos de maior circulação fora de Ilhéus, com apresentações em Itacaré, Canavieiras e Salvador. Com as mudanças na formação e outros processos da trajetória do grupo, essa expansão acabou sendo reduzida.
Para Fabrício, o reggae possui importância na música da Bahia e do Brasil. O músico citou Edson Gomes e Gilberto Gil como referências ligadas ao gênero e reconheceu que o mercado musical tende a trabalhar determinados ritmos com maior frequência. Questionado sobre a possibilidade de existir preconceito com determinados estilos, admitiu essa possibilidade.
A ideia do “Quizila toca Quizila” surgiu a partir da reação do público às apresentações da banda em bares e pubs da cidade. Fabrício explicou que o grupo vinha fazendo shows extensos, com as próprias músicas misturadas a outras canções que os integrantes gostam de tocar e que também são apreciadas pelo público.
Com o tempo, uma pergunta passou a aparecer com frequência: onde estavam as outras músicas da Quizila? Foi a partir dessa cobrança que a banda decidiu criar uma apresentação dedicada à própria obra.
Fabrício também explicou a origem do nome Quizila. Segundo ele, a sugestão partiu de um amigo durante o processo de formação da banda. Os integrantes gostaram da sonoridade da palavra e decidiram procurar seu significado no dicionário.
Na pesquisa, encontraram definições relacionadas a rixa, briga, aversão e protesto. Como estavam formando uma banda de reggae, o significado chamou a atenção do grupo.
Anos depois, os integrantes descobriram a relação da palavra com as religiões de matriz africana. Fabrício contou que o amigo Marinho, ligado ao Projeto Vungi, explicou aos músicos o significado de quizila nesse contexto.
Segundo o músico, a palavra pode estar relacionada a algo que uma pessoa não pode consumir por provocar uma reação negativa.
A descoberta fez Fabrício relacionar o significado ao posicionamento que atribui à banda. “Eu acho que tem a ver com o sentido inicial, porque a gente pode ser uma quizila para o sistema, para as coisas, ruindo o sistema. A gente causa uma indigestão ao sistema”, afirmou.
O show acontece neste sábado (15), às 20h, no Pub Delicious, no Pontal, com participação do DJ Seu Múcio. A apresentação pretende revisitar diferentes momentos da produção da banda e apresentar músicas que não costumam aparecer com frequência nos repertórios.
Além das canções já conhecidas, haverá espaço para composições que ainda não foram gravadas e para músicas que chegarão ao palco pela primeira vez.
Os ingressos custam R$ 40 e podem ser adquiridos por meio dos perfis @pubdelicious e @quizila_real. Também haverá venda no local, caso ainda haja entradas disponíveis.
Confira a entrevista completa:
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