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Pawlo Cidade

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QUANTO VALE SEU VOTO? – PARTE 1

As eleições estão chegando. Desde o ano passado que a gente observa os ensaios dos prefeituráveis e dos pretensos vereadores. Os vereadores, ou melhor, os candidatos e as candidatas ao legislativo espalham adesivos de pré-campanha em carros, muros de sua própria casa, cartazes de festas, carroças, torneios de futebol, bingos, shows beneficentes, facebook, instagram, outdoors.

Geralmente, as pré-campanhas são sempre assim: “Batatinha, vem aí!”, Luizinho do Pontal, agora é a nossa vez!”, “Estou com Jota Carlos e não abro”.  Claro que estes nomes não existem. Mas como são centenas de candidatos podem existir coincidências.

Para ser vereador, alguns estudiosos e articulistas da política dizem que o cidadão precisa ter serviços prestados à comunidade. Geralmente os serviços estão ligados à ação social na distribuição do sopão da madrugada, na arrecadação de alimentos para o abrigo dos velhinhos, na distribuição dos presentes de natal para as crianças carentes da Vila Vidal, da Vila Nazaré, da Vila Freitas e tantas outras vilas carentes e completamente desassistidas de nossa cidade.

Outros serviços estão ligados a justiça, facilitando a vida do cidadão que precisa tirar a segunda via da sua identidade, mas nunca encontra ficha no SAC, mesmo chegando às quatro da manhã; outros ainda estão ligados às caronas que o candidato dá no transporte alternativo para a comunidade.

Alguns, e não são poucos, direcionam seus “serviços” à saúde. O cara tem um amigo no hospital ou no posto de saúde ou no Centro de Regulação que facilita os pedidos dele para agilizar a vida de quem não consegue marcar um exame ou ser atendido por um ginecologista, por exemplo. E esse indivíduo que tem seu problema de saúde resolvido se transforma no sei eleitor em potencial. Não só ele, mas o pai dele, a mãe dele, o primo, o tio, a tia, a avó. Afinal, o cara conseguiu fazer aquela cirurgia que ele esperava há dois anos! A família agradecida, lhe garante os votos!

Entretanto, a lei diz que para ser vereador basta ler e escrever!

Enfim, suponhamos que um desses caras seja eleito ao troco do toma lá, da cá! (Vale salientar que a grande maioria dos edis é eleita dessa maneira. É triste, mas é real) O vereador eleito tem quatro anos para apresentar um projeto que facilite a vida do cidadão na saúde, no transporte coletivo, na assistência social ou em qualquer outra área que ele se locupletou de favores para se eleger. Isso é o que a gente espera e deseja. SQN – Só que não.

Ao invés de apresentar projetos que mudem a realidade do cidadão municipal, ele, simplesmente, consegue colocar alguém nesses mesmos setores para que possam dar continuidade ao “serviço” que ele fazia quando era um mero mortal. A ordem é cooptar novos eleitores.

Quanto vale mesmo o seu voto? Vale uma identidade que o cara conseguiu na maior moleza e quebrou um galhão seu? Vale aquele exame que você não consegue fazer a meses, mas seu coligado, candidato a vereador, foi lá e conseguiu para você rapidinho? Ou vale aquela carona que você tem todo dia quando vai ao trabalho, por que você tem raiva de andar nestes ônibus que não conseguem subir a ladeira da Princesa Isabel?

Pois é, meu amigo. Mais de quatrocentas mil pessoas no país irão disputar uma das cadeiras de vereador existentes no legislativo.  Muitos ávidos pelo salário de quase quinze mil reais. Uns pelo prestígio e alguns, muito raros, pelo desejo de transformar Ilhéus numa cidade melhor para ir e vir.

Por: Redação O Tabuleiro
Dia 31/01/2020 07h44

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