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Pawlo Cidade

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QUANTO VALE SEU VOTO? – PARTE 3

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto...”, este trecho inicial do nossa conversa de hoje foi escrita por Ruy Barbosa. Muitos já o usaram em seus discursos, em premissas de alguns documentos, em trabalhos de conclusão de curso, em rodas de conversa, em mesas de botequins, em declamações poéticas, em projetos culturais.

Por que será que ele ainda é tão atual? O que nos faz pensar que a nulidade em alguns casos se dá por mera desconformidade com a lei. Muitas ações já nascem nulas, é fato. Como alguns processos mau conduzidos. Afinal, “o ato nulo já é nulo de pleno direito, e o ato anulável está esperando alguém pedir pra anular”, compreende?

            Por que o brasileiro ri das pessoas que são honestas? Por que políticos corruptos continuam se reelegendo? O que nos estimula a cultivar as boas virtudes? Seriam práticas isoladas de alguém que devolve um pacote de dez mil reais? Uma carteira com todos os documentos? A devolução de um troco a mais por engano?

Por que fazemos piada com a honra do outro, hein? Por que ficamos envergonhados ao praticar o bem, a ser honesto com o outro? Por que esta inversão tão visceral de valores?

 Confesso que estou desanimado com a democracia. Há, de fato, uma vertigem que nos abala. Estamos desfalecendo. Somos uma nação moribunda. A corrupção é um caminho sem volta. Mas por que reclamar de tudo isso se você que está lá na ponta também contribui para que o ciclo se repita? Quem disse que você não troca seu voto por uma caixa de cerveja? Quem disse que você não pensa primeiro em você para depois pensar no outro? Meu irmão, farinha pouco, meu pirão primeiro.

Eu, não! “Meu voto é sagrado!” Você pode está pensando aí do outro lado. Então, o que você está fazendo para que o outro pense como você? Por que ao invés de eleger um amigo, não elegemos alguém que, de fato, possa contribuir para uma mudança?

Se cada um de nós convencer apenas uma pessoa de que o voto dela pode mudar toda a história, venceremos. Todavia, se continuarmos achando que não haverá mudança, que eles voltarão, a história se repetirá. Quem pode mudar, está na ponta. Tem a arma, tem a solução. Vamos fazer essa gente abrir o olho.

O poeta e professor Piligra, em seu poema “Cotidiano”, dá o alerta:

“Só quem tem cabelo duro/Pele escura e fala mal/É despido frente ao muro/E é chamado de animal/Pois a Pátria nos desterra/Tudo em nome da eugenia/E o pobre lutando a guerra/Que o rico não lutaria”.

Por: Redação O Tabuleiro
Dia 13/02/2020 11h11

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