ACII COMPLETA 114 ANOS E DEFENDE UNIÃO DOS EMPRESÁRIOS PARA IMPULSIONAR O DESENVOLVIMENTO DE ILHÉUS
Em entrevista ao programa O Tabuleiro, presidente Paulo Ceo e diretores Larissa Carillo Souza Rocha e José Luiz Falcão abordaram associativismo, infraestrutura, voos, tributação e Porto Sul
A importância da participação empresarial nas decisões que envolvem Ilhéus foi um dos principais pontos da entrevista concedida pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Ilhéus (ACII), Paulo Ceo, ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta segunda-feira (17). Ao lado dos diretores Larissa Carillo Souza Rocha e José Luiz Falcão, ele falou sobre os 114 anos da entidade e sobre a necessidade de fortalecer o associativismo para enfrentar os desafios da cidade.
Paulo Ceo afirmou que vê a atuação à frente da associação como uma oportunidade de contribuir para mudanças na realidade local. Segundo ele, é necessário atrair mais pessoas para o movimento associativista, criando conexões e estimulando ações coletivas.
O presidente lembrou que, ao longo dos 114 anos, a ACII participou de discussões relacionadas a equipamentos considerados importantes para a economia de Ilhéus. Ele citou os portos Dois de Julho e do Malhado, o Centro de Convenções, o Distrito Industrial e o aeroporto.
Na avaliação de Paulo, a participação dos empresários era mais intensa no passado e essa consciência foi diminuindo com o passar dos anos. “Vem se perdendo, ao longo dos anos, essa consciência cidadã, transformadora e participativa.”
Para ele, a união entre empresários e sociedade pode produzir resultados coletivos. “Se nós nos unirmos de verdade, a realidade será bem diferente. Ganha todo mundo, a sociedade como um todo.”
A diretora Larissa Carillo Souza Rocha apontou dois fatores que, na avaliação dela, ajudam a explicar a dificuldade de ampliar a participação nas associações: a cultura associativa ainda pouco disseminada na região e a falta de tempo dos empresários.
Larissa observou que, ao serem convidados a participar, muitos empresários perguntam primeiro o que terão em troca. Para ela, isso revela uma dificuldade de compreender o caráter coletivo da associação.
Outro fator seria a rotina cada vez mais ocupada. Segundo Larissa, empresários precisam lidar diariamente com lojas, empresas, tarefas e demandas diversas. “Hoje se diz que o nosso maior luxo é um tempo livre.”
Ela também avaliou que a tecnologia produz uma situação contraditória: embora tenha como objetivo facilitar tarefas, o tempo que poderia ser economizado acaba sendo preenchido por outras atividades.
Na conversa, Larissa relacionou ainda o cenário atual à trajetória econômica de Ilhéus. Ela lembrou a importância que a lavoura cacaueira teve para a região e mencionou os desafios enfrentados depois da crise provocada pela vassoura-de-bruxa, especialmente a partir dos anos 1980.
José Luiz Falcão abordou os desafios para atrair novos associados. Ele explicou que a entidade procura mostrar aos empresários a importância de estar organizado coletivamente e lembrou o papel histórico da ACII na interlocução com os governos. “A associação teve, como o Paulo Ceo falou no passado, um papel fundamental em todas as grandes decisões da região.”
Segundo José Luiz, cabe à entidade mediar as demandas dos setores produtivos e levá-las aos governantes na tentativa de buscar soluções.
Ele resumiu a importância da participação empresarial destacando que, individualmente, cada empresário representa apenas uma voz, enquanto a união amplia a força da categoria. “Sozinho, ele é mais um só.”
O diretor informou que a atual diretoria também vem trabalhando para aproximar a ACII da FACEB e da FIEB e buscando apoio para atrair novos empreendimentos para Ilhéus.
A dificuldade de ampliar os voos em Ilhéus também entrou na discussão. A questão foi apresentada não apenas como um problema para o turismo, mas também para a indústria e para os empresários que precisam se deslocar para realizar negócios.
Paulo Ceo contou que a primeira atuação da atual diretoria da ACII foi uma reunião com Alcides Kruschewsky, já falecido, para discutir a situação da Socicam e do aeroporto.
Ele relatou ainda a mobilização de 12 instituições, com elaboração de uma carta e cobrança pela reforma do aeroporto, cuja obra, segundo ele, demorou para ser concluída.
Paulo também contou que, durante a passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela região, a ACII entregou uma carta solicitando a retomada do projeto de um novo aeroporto. Segundo o presidente da entidade, a resposta foi de que a proposta não seria contemplada naquele momento, embora pudesse ser considerada posteriormente.
A ACII, segundo Paulo, continuou acompanhando as discussões e realizou um fórum no ano passado para tratar do tema com entidades e representantes de municípios.
Ele citou ainda uma articulação conduzida pelo deputado estadual Eduardo Salles, presidente da Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa, com participação de representantes envolvidos nas etapas do projeto.
Paulo afirmou que a Socicam teria concluído sua parte, prevista para 15 de julho, com um pequeno atraso, e encaminhado o projeto para Brasília. Ele disse que ainda buscaria informações sobre a etapa atribuída ao município. “A gente tem participado, provocado e participado das discussões.”
O presidente da ACII defendeu que os empresários também tenham uma postura de cobrança diante das ações do poder público. “Nós temos que nos unir e cobrar do Poder Público aquilo que é para ele fazer.”
Paulo também destacou a presença de representantes da ACII em conselhos e mencionou a atuação de integrantes em temas relacionados à cidade, como resíduos sólidos.
Ao falar sobre a necessidade de conscientização da população, ele relatou uma situação em que presenciou uma pessoa jogar um copo no chão e relacionou o episódio a problemas como o entupimento de bueiros.
Para ele, tanto o poder público quanto a população precisam cumprir suas responsabilidades.
Paulo afirmou ainda que a ACII mantém as portas abertas para reuniões e que a entidade tem cedido seu espaço para encontros relacionados a diferentes assuntos, citando a realização da Semana do Meio Ambiente.
A situação do Código Tributário de Ilhéus foi abordada na sequência. José Luiz Falcão afirmou que a ACII acompanha o tema diante das dificuldades relatadas por empresários em relação às taxas cobradas pelo município.
Ele citou casos de empresas que, segundo relatos recebidos pela entidade, estariam mudando o endereço tributário em razão de alíquotas, valores de alvarás e IPTU considerados elevados.
Para o diretor, o município precisa arrecadar, mas é necessário encontrar um equilíbrio que não afaste empreendimentos. “É importante que se refaça esse código, estude direito essa arrecadação em si para poder a gente ser uma cidade que atrai empreendimentos, não espante.”
José Luiz também destacou que o momento exige atenção por causa das discussões relacionadas à reforma tributária nacional.
Questionado sobre a possibilidade de a base de arrecadação de Ilhéus ser pequena e concentrar a cobrança sobre uma parcela da população, José Luiz avaliou como importante o novo cadastramento que vem sendo realizado pelo município.
Na visão dele, ampliar essa base é necessário para reduzir distorções na arrecadação.
O diretor informou que a ACII considera necessário um estudo tributário mais aprofundado, com a participação de um tributarista, para construir uma proposta que possa ser apresentada ao município durante a discussão da reforma.
Paulo Ceo também falou sobre sua própria experiência como comerciante. Ele contou que, quando trabalhava como sacoleiro, não pagava impostos, mas afirmou que sempre considerou importante ter respaldo sobre os produtos que comprava e vendia. “Eu não tenho problema de pagar imposto. Eu quero vender e pagar imposto.”
Para ele, o pagamento de impostos deve estar relacionado às melhorias para a população. “Então não é pagar imposto pelo imposto, é imposto pelas melhorias.”
Paulo defendeu a formalização dos negócios e a participação dos empresários nas instituições que os representam. Segundo ele, não basta pagar impostos: é necessário também participar da vida da cidade e fortalecer as organizações que podem cobrar do poder público.
O presidente lembrou ainda que a ACII já participou de reuniões com administrações municipais anteriores para discutir o Código Tributário. Segundo ele, foram mais de cinco reuniões com empresários e diferentes instituições.
Paulo afirmou que, naquele momento, não houve redução das cobranças, em razão das limitações relacionadas à renúncia de receita, mas foi criado um programa de regularização de débitos a partir de uma solicitação da entidade.
Atualmente, segundo ele, a ACII busca, por meio da FACEB, um especialista em tributação para elaborar um estudo que permita comparar os valores cobrados em Ilhéus com os de municípios considerados semelhantes.
A intenção, explicou, é levar dados concretos para contribuir com a discussão sobre o Código Tributário.
A entrevista também abordou o Porto Sul. Paulo Ceo lembrou que a ACII já promoveu evento para discutir o empreendimento e informou que participou, na semana anterior, de uma reunião em Itabuna com empresários regionais e o secretário Paulo Ganem.
Segundo ele, a entidade pretende continuar acompanhando o projeto para evitar que as discussões percam força.
Paulo mencionou a área desapropriada para a implantação do empreendimento e defendeu a cobrança pela continuidade do projeto, considerando os investimentos já realizados.
Ele também citou um empréstimo de mais de R$ 6 bilhões aprovado pela Marinha Mercante e afirmou que o governo federal estaria finalizando as providências para garantir os recursos.
Ao longo da entrevista, a defesa da participação coletiva esteve presente nas falas dos três representantes da ACII. Para a entidade, o fortalecimento da união entre empresários é uma forma de ampliar a capacidade de diálogo, cobrança e participação nas decisões que envolvem o desenvolvimento de Ilhéus.
Confira a entrevista completa:
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