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BOMBA: NOTA DE REPÚDIO DA UMES EXPÕE TENSÃO ENTRE MOVIMENTO ESTUDANTIL E GRUPO POLÍTICO EM ILHÉUS

BOMBA: NOTA DE REPÚDIO DA UMES EXPÕE TENSÃO ENTRE MOVIMENTO ESTUDANTIL E GRUPO POLÍTICO EM ILHÉUS
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 21/06/2026 11h42

Entidade acusa NTE-05 e pré-candidata a deputada federal Adélia Pinheiro (PT) de boicotar cursinho popular; grupo nega e fala em "procedimentos administrativos"

O que deveria ser mais uma vitória da educação popular transformou-se em campo de batalha político na cidade de Ilhéus. A União Municipal dos e das Estudantes de Ilhéus (UMES) publicou em suas redes sociais nesta quinta-feira, 18, uma nota de repúdio contra o Núcleo Territorial de Educação - NTE-05 e o grupo político da pré-candidata a deputada federal Adélia Pinheiro (PT), acusando-os de praticar "perseguição política" ao CPOP UMES - Turma Everaldo Anunciação, cursinho popular vinculado a um programa do Governo Federal.

O documento, endereçado à comunidade estudantil, à sociedade ilheense, às autoridades e às direções partidárias, denuncia uma série de "negativas, obstáculos e desgastes" que, segundo a entidade, vêm sendo impostos à realização do curso há mais de dois anos. A UMES afirma que a retaliação teria origem em denúncias feitas pela entidade sobre um suposto "esquema de aliciamento de menores" no interior de instituições governamentais — denúncias que, conforme a nota, teriam desagradado setores ligados ao grupo político de Adélia Pinheiro. "A UMES de Ilhéus não se arrepende de ter escolhido o lado dos estudantes, das vítimas e da verdade. Não aceitaremos perseguições, chantagens, retaliações ou qualquer tentativa de silenciamento."

O tom é de enfrentamento. E a entidade deixa claro: está disposta a travar "todos os enfrentamentos políticos, institucionais e jurídicos necessários" contra a pré-candidata e seu grupo.

O CPOP UMES - Turma Everaldo Anunciação é um cursinho pré-vestibular popular que integra a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), iniciativa do Ministério da Educação voltada a fortalecer cursinhos comunitários e preparar estudantes de baixa renda para o Enem e vestibulares. A turma carrega o nome de Everaldo Anunciação, vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores e uma das maiores lideranças em defesa da educação na Bahia, falecido em agosto de 2025.

Para a UMES, a homenagem a um militante histórico do PT torna "ainda mais inadmissível" que a iniciativa tenha sido alvo de obstáculos. A entidade sustenta que, enquanto "diversos cursos oriundos do mesmo edital" estão sendo recebidos em escolas estaduais em Ilhéus e em cidades do território, o cursinho organizado pela UMES teria sido "barrado e empurrado para fora dos espaços estaduais".

"Mais grave ainda", diz a nota, é perceber que "cursos vinculados a grupos próximos à referida pré-candidatura encontram portas abertas".O NTE-05, com sede em Itabuna, é o Núcleo Territorial de Educação responsável pelo acompanhamento de escolas estaduais na região. A UMES acusa o órgão de atuar como braço de uma perseguição orquestrada, influenciado pelo grupo político de Adélia Pinheiro — que, além de pré-candidata a deputada federal, tem uma trajetória na região: foi reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e ocupou os cargos de secretária estadual de Educação e de Saúde da Bahia.

A nota critica duramente a presença de Adélia Pinheiro no PT, partido que, segundo a UMES, "tem sua história marcada pela luta popular, pela defesa das classes trabalhadoras e pelo enfrentamento às desigualdades sociais". A entidade afirma que a pré-candidata "não vive a realidade do povo trabalhador e reproduz práticas de mando, isolamento e coronelismo político".

"Essa postura não representa a história do PT, não representa a juventude e não representa os estudantes que seguem acreditando em um projeto popular, democrático e comprometido com o povo."

O NTE-05, em nota anterior, integrantes do grupo político teriam classificado as negativas como "meros procedimentos administrativos" — versão rechaçada pela UMES, que fala em "processo de retaliação política".

Fontes ligadas ao governo estadual, que pediram anonimato ao site OTabuleiro, afirmam que a relação entre a UMES e setores da gestão estadual já vinha desgastada desde as denúncias mencionadas na nota, mas evitam confirmar a existência de boicote.

Em meio ao impasse, a UMES encontrou acolhida onde menos se esperava: na gestão municipal. A nota agradece à Secretaria Municipal de Educação de Ilhéus, por meio da secretária Evani Cavalcante, que "apoiou e autorizou a realização do cursinho em escolas do município". O reconhecimento é acompanhado de uma ironia: mesmo se tratando de um programa do Governo Federal do presidente Lula, foi a gestão municipal — e não a estadual — que "garantiu, na prática, as condições para que os estudantes não fossem prejudicados".

Vereadores e vereadoras também são citados, como Enilda Mendonça e Adilson José, que "compreenderam a importância da iniciativa e se colocaram ao lado da educação".

Um dos trechos mais contundentes da nota é o que reafirma a independência política da UMES: "A UMES de Ilhéus é uma entidade sem partido. Criticamos a gestão municipal quando necessário, criticamos a gestão estadual quando necessário e não abriremos mão da nossa autonomia política. Acreditamos, sim, em uma educação emancipadora, popular e com lado ideológico, pois não existe neutralidade quando se trata da defesa dos direitos da juventude."

A entidade deixa claro que seu "lado" não é o de uma sigla, mas o "da educação, da juventude e dos estudantes". E promete seguir firme: "A UMES de Ilhéus nasceu para lutar, e não será calada por nenhum grupo político, por nenhuma estrutura de poder e por nenhum projeto pessoal."

A nota, assinada pela União Municipal dos e das Estudantes de Ilhéus, chega em um momento político delicado. Adélia Pinheiro é uma das apostas do PT para ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados em 2026, e o desgaste com o movimento estudantil pode se tornar um capítulo incômodo em sua campanha.

Para a UMES, porém, a questão não é eleitoral — é de princípio. A entidade afirma estar "pronta para travar todos os enfrentamentos necessários" e que não se arrepende de ter denunciado o que viu como abuso. Resta saber se as instituições estaduais e o grupo político citado na nota responderão aos ataques ou se limitarão a repetir o diagnóstico de "meros procedimentos administrativos".

Enquanto isso, o CPOP UMES - Turma Everaldo Anunciação segue funcionando — graças, segundo a entidade, à gestão municipal. E a pergunta que fica no ar é: quantos outros projetos de educação popular precisarão depender da boa vontade política de um ou outro gestor para sobreviver?

A UMES de Ilhéus é uma entidade que representa os estudantes da rede pública municipal e estadual na cidade. O CPOP (Cursinhos Populares) é uma iniciativa do Ministério da Educação voltada ao fortalecimento de cursinhos comunitários preparatórios para o Enem e vestibulares.

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